2025 registra recorde histórico de mortes de jornalistas no mundo, aponta CPJ
- Marcus Modesto
- há 52 minutos
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Um relatório divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) revela que 129 profissionais de imprensa foram mortos em 2025 — o maior número já contabilizado pela entidade em mais de três décadas de monitoramento. Os dados foram divulgados inicialmente pela Agência Brasil.
De acordo com o levantamento da organização, sediada em Nova York, 86 dessas mortes — cerca de dois terços do total — são atribuídas às forças israelenses. No conjunto geral, 104 jornalistas morreram em contextos de conflito armado, o que confirma a guerra como o principal fator de risco para a categoria.
Conflitos armados lideram estatísticas
Cinco países concentram 84% dos assassinatos registrados: Israel (86 casos), Sudão (9), México (6), Rússia (4) e Filipinas (3). Embora haja crescimento de mortes na Ucrânia e no Sudão, o relatório destaca que a maioria das vítimas era palestina, atingida durante a guerra na Faixa de Gaza.
Para o CPJ, os conflitos armados atingiram níveis históricos e os assassinatos de jornalistas chegaram a um “recorde sem precedentes”. A entidade atribui o cenário à persistência da impunidade. Segundo o documento, são raras as investigações transparentes e responsabilizações efetivas.
A presidente do comitê, Jodie Ginsberg, afirmou que os ataques à imprensa são um sinal de alerta mais amplo para a democracia. Ela ressaltou que, quando jornalistas são mortos por exercer a profissão, toda a sociedade fica vulnerável.
Casos emblemáticos
Entre os episódios citados está o do correspondente palestino Hossam Shabat, de 23 anos, que trabalhava para a Al Jazeera e foi morto em março de 2025 após um ataque a seu veículo nas proximidades do hospital Beit Lahia, no norte de Gaza. Israel o acusou de ligação com o Hamas, mas, segundo o relatório, não apresentou provas públicas.
Outro caso mencionado é o do repórter Anas al-Sharif, também da Al Jazeera, morto em agosto após um ataque a uma tenda que abrigava jornalistas nas imediações do Hospital Al-Shifa. Ele havia denunciado ameaças e campanhas de difamação antes do atentado.
Crime organizado e autoritarismo
O relatório também aponta que o problema não se restringe a zonas de guerra. Países como México, Índia e Filipinas seguem registrando assassinatos recorrentes ligados ao crime organizado, à corrupção política e à fragilidade institucional. O documento ainda cita Bangladesh, Colômbia, Guatemala, Honduras, Nepal, Peru, Paquistão e Arábia Saudita como nações com histórico preocupante de violência contra profissionais da imprensa.
Segundo o CPJ, México e Índia apresentam pelo menos um jornalista morto por ano na última década, enquanto Bangladesh e Colômbia acumulam registros frequentes nos últimos cinco anos.
Drones ampliam riscos
O estudo chama atenção para a mudança no perfil dos ataques em áreas de conflito. O número de jornalistas mortos por drones saltou de dois casos em 2023 para 39 em 2025. Desde a invasão russa da Ucrânia em 2022, o uso desse tipo de armamento se intensificou tanto para vigilância quanto para ataques diretos.
Na Ucrânia, os quatro jornalistas mortos no ano passado teriam sido atingidos por drones russos, evidenciando um novo padrão de ameaça para profissionais que atuam na cobertura de guerras.
Para o CPJ, o cenário reforça a necessidade de maior proteção internacional à imprensa e de responsabilização dos autores dos crimes. O relatório conclui que a liberdade de informar atravessa um dos momentos mais críticos das últimas décadas.




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