top of page
Buscar

A NOSSA HISTÓRIA | O Jardim das Preguiças – Uma crônica sobre o Parque Centenário

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura


Por Marcus Modesto


Há lugares que não apenas existem; respiram. O Parque Centenário, em Barra Mansa, é um desses lugares. Caminhar por seus caminhos é como abrir um álbum de fotografias onde o tempo, em vez de desgastar, emoldura memórias com delicadeza.


Tudo começou em 1874, quando Joaquim Leite Ribeiro de Almeida, com olhos que enxergavam além da terra crua, decidiu pintar sua obra-prima. Chamaram-no “Jardim de Baixo”. Ali, o barro virou palco, e as plantas, protagonistas de uma história que floresceria por gerações.


As árvores que ele plantou, na verdade, eram convites ao futuro: cresçam aqui, venham sonhar sob estas sombras. Em 1922, já maduras, testemunharam a transformação do jardim em “Parque Centenário”, batismo que marcou o aniversário da cidade. Um nome que, de tão solene, parecia abraçar a eternidade.


É um parque que não fala, mas conta. Suas árvores guardam risos de crianças e segredos de amores proibidos. Seus caminhos de pedra carregam passos apressados e passeios preguiçosos. Até o vento parece sussurrar histórias enquanto brinca com as folhas.


E por falar em preguiça… Que outro parque poderia receber tão bem esses bichos lentos e serenos? Há 17 adultos e 3 filhotes vivendo ali. Suspensas nos galhos, as preguiças parecem espiar os humanos com uma sabedoria ancestral, como se lembrassem que, afinal, a vida não precisa ser corrida para ser vivida.


O Parque Centenário não é só memória; é transformação. Já foi tocado pelas mãos de Auguste Glaziou, o paisagista do imperador, que desenhou recantos dignos da realeza. Décadas depois, Roberto Burle Marx, mestre da paisagem brasileira, reinventou seus espaços, provando que até o clássico pode renascer com um toque moderno.


Hoje, o parque é um refúgio. Entre o tumulto urbano e a agitação do mundo, ele oferece uma pausa. Sob sua copa, o tempo ganha outro ritmo, e somos convidados a desacelerar, como as preguiças que o habitam.


No fim, o Parque Centenário não é apenas um lugar. É um testemunho vivo de que a natureza, quando cuidada e respeitada, transforma a terra em história, as árvores em memória, e um simples passeio em uma viagem ao coração do tempo.

Foto Acervo Marcus Modesto

Parque Centenário em 1920 - Lançamento da Cerveja Fidalga,criada em 1914

 
 
 

Comentários


bottom of page