A Primeira Greve dos Metalúrgicos de Barra Mansa e Volta Redonda
- Marcus Modesto
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A Primeira Greve dos Metalúrgicos de Barra Mansa e Volta Redonda
Por Marcus Modesto
Nos confins do tempo e do trabalho, surgiu um ícone do progresso nacional: a Usina Presidente Vargas, bastião de aço e força da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Localizada em Volta Redonda, esta usina foi o coração pulsante do desenvolvimento industrial brasileiro no século XX, moldando o futuro econômico e social da região Sul Fluminense. A CSN, que originalmente pertenceu ao território de Barra Mansa até 1954, tornou-se um símbolo do poder industrial, mas também um palco de conflitos entre capital e trabalho.
Desde o início de sua construção em 1941, a CSN não apenas criou empregos, mas também traçou caminhos, ergueu cidades e transformou o cenário regional. Contudo, por trás do fulgor do progresso, havia trabalhadores que enfrentavam jornadas extenuantes e condições desumanas. Essa realidade fomentou a organização sindical e as primeiras mobilizações, resultando em uma das greves mais emblemáticas da história da região: a paralisação dos metalúrgicos de Barra Mansa e Volta Redonda em 1956.
O Papel do 1º BIB na Repressão de 1956
O 1º Batalhão de Infantaria Blindada (1º BIB), criado em 1950 e sediado em Barra Mansa, tornou-se uma peça-chave na repressão aos trabalhadores da região. Com a missão de manter a ordem pública, o batalhão era frequentemente acionado para intervir em conflitos trabalhistas na Companhia Siderúrgica Nacional, cujo impacto econômico era estratégico para o Brasil.
Em 1º de fevereiro de 1956, o 1º BIB recebeu ordens do Comandante da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) para reprimir a greve dos metalúrgicos de Barra Mansa e Volta Redonda. Trabalhadores organizados exigiam melhores salários, condições de trabalho dignas e o direito à negociação coletiva. Porém, a resposta foi violenta: tropas militares reprimiram manifestações com força, impondo uma atmosfera de medo e submissão.
Esse episódio foi um marco na história das relações trabalhistas no Brasil, mostrando a disposição do Estado em utilizar força militar para proteger os interesses econômicos da elite industrial, em detrimento das demandas legítimas dos trabalhadores.
A Intensificação da Repressão no Regime Militar (1964-1985)
Após o golpe militar de 1964, o papel repressivo do 1º BIB se intensificou. O batalhão tornou-se instrumento central do regime autoritário, perseguindo líderes sindicais, organizadores de greves e qualquer trabalhador que fosse identificado como uma ameaça à “ordem pública”. Sob a justificativa de combater subversivos, práticas brutais como prisão arbitrária, tortura e vigilância constante tornaram-se comuns.
As instalações do 1º BIB serviram como centros de detenção e interrogatório. Relatos de tortura física e psicológica marcaram esse período sombrio. A proximidade entre o batalhão e a CSN facilitou ações coordenadas contra trabalhadores, consolidando a repressão como ferramenta de controle social e econômico.
Memória e Resistência
A redemocratização do Brasil, após 1985, trouxe à tona as memórias dessas décadas de repressão. Algumas das práticas do 1º BIB foram investigadas pela Justiça Militar, e os relatos de sobreviventes ajudaram a reconstruir a narrativa de luta e sofrimento dos trabalhadores de Barra Mansa e Volta Redonda.
A greve de 1956, reprimida com brutalidade, tornou-se símbolo da resistência operária. Mais do que uma luta por salários, foi um embate pela dignidade e pelos direitos trabalhistas. Hoje, a memória desses eventos serve como alerta sobre os perigos da repressão e como inspiração para a defesa contínua dos direitos humanos, da democracia e da liberdade de organização sindical.
A história dos metalúrgicos da região Sul Fluminense transcende o aço que moldaram; ela é feita de coragem e resiliência, provando que, mesmo sob a opressão mais severa, a chama da luta por justiça não se apaga.
Trecho do livro A História de Barra Mansa / Dos Índios Puris ao Golpe de 1964
De autoria do jornalista Marcus Modesto.




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