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Acidentes com motos quase dobram internações no SUS do Rio e já custaram R$ 104,6 milhões

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 56 minutos
  • 2 min de leitura

Rio de Janeiro — O crescimento da frota e do uso de motocicletas no estado do Rio de Janeiro vem acompanhado de um problema cada vez mais pesado para a saúde pública. Dados do Ministério da Saúde mostram que o número de motociclistas internados após acidentes de trânsito saltou de 5.366, em 2019, para 10.113 em 2025 — uma alta de 88,4% em seis anos.

A evolução revela que os acidentes envolvendo motocicletas deixaram de ser um problema restrito ao trânsito e passaram a representar também uma importante pressão sobre a rede hospitalar.

A quantidade de internações cresceu praticamente ano após ano. Foram 5.495 registros em 2020, 6.646 em 2021 e 6.846 em 2022. Em 2023, o número subiu para 7.807, chegando a 9.152 no ano seguinte. Em 2025, pela primeira vez, a marca de 10 mil hospitalizações foi ultrapassada.

E o cenário de 2026 continua preocupante. Somente nos primeiros seis meses deste ano, 4.123 motociclistas já precisaram ser internados em unidades do SUS no estado.


Mais acidentes, mais mortes


O levantamento também mostra uma escalada nas mortes de motociclistas.

Em 2019, foram registrados 305 óbitos. O número passou para 348 em 2020, chegou a 383 em 2021 e alcançou 390 mortes no ano seguinte.

A partir daí, os registros continuaram aumentando: 422 mortes em 2023 e 470 em 2024. Em 2025, o estado contabilizou 610 motociclistas mortos em acidentes de trânsito, o maior número da série apresentada.

Nos seis primeiros meses de 2026, outras 356 mortes já foram contabilizadas.

Os números precisam ser observados com cautela porque os dados de 2026 ainda correspondem apenas ao primeiro semestre. Mesmo assim, a quantidade registrada até junho chama atenção e reforça a necessidade de medidas de prevenção.


R$ 104 milhões de impacto no SUS


Além do drama provocado pelas mortes e pelas sequelas, os acidentes representam uma conta milionária para os cofres públicos.

Entre 2019 e junho de 2026, as internações de motociclistas vítimas de acidentes de trânsito consumiram R$ 104,6 milhões do SUS no estado do Rio.

O valor representa gastos com o atendimento de vítimas que, em muitos casos, chegam aos hospitais com lesões graves e precisam permanecer internadas por períodos prolongados, além de eventualmente necessitarem de cirurgias, reabilitação e acompanhamento médico.

Por trás das estatísticas estão trabalhadores que ficam afastados de suas atividades, famílias que passam a conviver com sequelas e hospitais que precisam mobilizar equipes e recursos para atender uma demanda crescente.

O avanço das internações e dos óbitos coloca o trânsito sobre duas rodas entre os principais desafios de saúde pública relacionados à mobilidade no estado. Reduzir acidentes não significa apenas preservar vidas, mas também diminuir a pressão sobre uma rede pública que já precisa lidar diariamente com uma enorme demanda por atendimento.



 
 
 

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