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Ocupação da Paz: assistência social não pode ser apenas o último capítulo de uma história de seis anos

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 1 hora
  • 2 min de leitura

Volta Redonda — A situação dos moradores da Ocupação da Paz expõe um problema que vai muito além do cumprimento de uma decisão judicial. Depois de cerca de seis anos de ocupação, dezenas de famílias enfrentam agora a perspectiva de deixar o local onde construíram suas vidas, enquanto o poder público corre para tentar organizar uma saída que, para muitos, representa o risco de ficar sem moradia.

A Prefeitura de Volta Redonda informa que realizou atendimentos individuais e vem levantando as necessidades das famílias, inclusive para verificar quem poderá ter acesso ao aluguel social ou a outros programas da rede de assistência. A iniciativa é necessária, mas também levanta uma pergunta incômoda: por que uma situação que se arrasta há anos só ganha maior atenção quando a ordem de desocupação chega à etapa de cumprimento?

O acompanhamento social é importante, mas não pode se resumir a preencher cadastros, fazer entrevistas e encaminhar famílias de um programa para outro. Quem vive em uma ocupação não está apenas diante de um problema burocrático. Está diante da possibilidade concreta de perder o teto, mudar a rotina dos filhos, interromper vínculos comunitários e enfrentar novamente a insegurança habitacional.

Segundo a própria prefeitura, 13 famílias que viviam na Ocupação da Paz foram encaminhadas, no ano passado, para unidades do Minha Casa, Minha Vida. O número mostra que existem caminhos possíveis quando há articulação entre as políticas públicas. Mas também evidencia o tamanho do desafio para aqueles que ainda permanecem no local.

A questão central agora é saber quantas famílias serão efetivamente atendidas e qual será o destino de cada uma delas.

Não basta dizer que haverá acompanhamento. É preciso transparência sobre critérios, prazos, número de famílias cadastradas, quantidade de pessoas que poderão receber aluguel social e quais alternativas serão apresentadas àqueles que não se enquadrarem nos programas existentes.

A decisão judicial precisa ser cumprida, mas isso não significa que o poder público deva assistir passivamente à saída de famílias sem garantir que elas tenham condições mínimas para reconstruir suas vidas.

A Ocupação da Paz também deveria servir como alerta para Volta Redonda. A cidade precisa discutir seriamente sua política habitacional, identificar áreas de vulnerabilidade e ampliar mecanismos capazes de evitar que novas famílias sejam empurradas para ocupações irregulares por falta de alternativas.

Assistência social não pode funcionar apenas quando a emergência bate à porta.

O desafio da Prefeitura é transformar o cumprimento da decisão judicial em uma operação de proteção social, e não simplesmente em uma operação de retirada. Cada família tem uma história diferente e precisa ser tratada como tal.

A população tem o direito de saber: quando essas famílias deixarem a Ocupação da Paz, para onde irão?

Essa é a pergunta que precisa ser respondida com clareza. Porque retirar pessoas de uma área é uma obrigação diante de uma decisão judicial. Garantir que elas não fiquem abandonadas depois da retirada é uma responsabilidade social e política do município.

Foto PMVR


 
 
 

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