Apagão volta a atingir a Flip e expõe falta de planejamento; evento internacional segue sem gerador de emergência
- Marcus Modesto
- 24 de jul.
- 2 min de leitura
A noite de quinta-feira (23) foi marcada, mais uma vez, por um problema que parece ter se tornado recorrente na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip): a falta de energia elétrica. O apagão interrompeu atividades do segundo dia do evento e reacendeu críticas sobre a estrutura oferecida a uma das mais importantes festas literárias do país.
Segundo a Enel Rio, um desarme na linha de distribuição entre Mambucaba e Paraty, registrado por volta das 20h30, provocou a interrupção do fornecimento de energia em parte da região. A concessionária informou que mobilizou equipes de emergência e que o serviço foi totalmente restabelecido às 3h30 desta sexta-feira (24).
Embora a causa técnica tenha sido atribuída à rede elétrica, o episódio levanta uma questão inevitável: por que um evento de porte internacional, que recebe milhares de visitantes, escritores, jornalistas e turistas de diversos países, continua sem uma estrutura de contingência capaz de evitar a paralisação de sua programação?
A repetição desse tipo de ocorrência já não pode ser tratada como um fato isolado. Em praticamente todas as edições da Flip há relatos de interrupções no fornecimento de energia, afetando não apenas as atividades oficiais, mas também pousadas, restaurantes, livrarias e o comércio local, justamente no período de maior movimento econômico para a cidade.
Diante desse histórico, é difícil compreender por que ainda não existe um sistema robusto de geração de energia para garantir a continuidade das atividades em caso de falhas na rede elétrica. Um gerador de grande capacidade deveria fazer parte da infraestrutura básica de um evento dessa dimensão.
A responsabilidade também precisa ser compartilhada pela Prefeitura de Paraty, que, ao lado da organização da Flip e da concessionária de energia, deveria cobrar e planejar soluções permanentes. Não basta apenas lamentar o apagão após ele acontecer. É preciso antecipar os problemas e oferecer segurança operacional para um evento que projeta o nome de Paraty para o Brasil e para o mundo.
A Flip é reconhecida como patrimônio cultural e um dos maiores festivais literários da América Latina. Justamente por isso, espera-se que sua infraestrutura esteja à altura de sua importância. Afinal, não é razoável que, ano após ano, um simples apagão continue comprometendo um evento que se consolidou no calendário cultural internacional.




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