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Ato contra o feminicídio expõe limites da proteção às mulheres em Volta Redonda

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 28 de jan.
  • 2 min de leitura

A realização de um ato público contra o feminicídio, nesta terça-feira (27), na Praça Sávio Gama, em Volta Redonda, trouxe à tona uma realidade que vai além do simbolismo das mobilizações oficiais. Embora o evento tenha reunido representantes do poder público, da sociedade civil e moradores da cidade, o encontro acabou evidenciando os limites práticos das políticas de proteção às mulheres diante do avanço contínuo da violência de gênero.


O discurso institucional destacou a importância da denúncia, da prevenção e do fortalecimento da rede de atendimento. No entanto, os próprios dados e casos recentes mostram que a estrutura existente ainda não consegue garantir segurança efetiva às mulheres que decidem romper o silêncio. A insistência em campanhas de conscientização contrasta com a fragilidade das respostas do Estado após a denúncia, etapa em que muitas vítimas continuam expostas ao risco.


Volta Redonda possui serviços especializados, como a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos e a Delegacia de Atendimento à Mulher, mas a realidade demonstra que a engrenagem não funciona de forma integrada e eficiente. Medidas protetivas são descumpridas, decisões judiciais falham em impedir novas agressões e o medo segue sendo um fator determinante para que muitas mulheres desistam de buscar ajuda.


O ato também fez referência a uma tentativa recente de feminicídio ocorrida no município, quando uma mulher foi baleada pelo ex-companheiro. O caso gerou comoção e escancarou falhas graves no sistema de proteção: mesmo após descumprir medida protetiva, o agressor voltou a circular em liberdade. A situação levanta questionamentos sobre a efetividade das decisões judiciais e a responsabilidade do Estado na prevenção de crimes anunciados.


A fala de familiares da vítima rompeu com o tom protocolar do evento e trouxe à praça o sentimento de revolta e insegurança vivido por quem convive diretamente com a violência. O questionamento sobre a liberação do agressor e a cobrança por justiça revelam um problema recorrente: o sistema reage depois da tragédia, quando deveria atuar antes dela.


Mais do que atos simbólicos, o enfrentamento ao feminicídio exige políticas públicas contínuas, fiscalização rigorosa do cumprimento de medidas protetivas e responsabilização efetiva dos agressores. Enquanto isso não ocorre, mobilizações como a desta terça-feira acabam funcionando mais como alertas do fracasso coletivo do que como provas de que o problema está sendo, de fato, enfrentado.

Foto Adriana Cópio


 
 
 

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