top of page
Buscar

Autoridades endurecem exigências e travam delação de Daniel Vorcaro

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 12 horas
  • 2 min de leitura

As negociações para um possível acordo de delação premiada envolvendo Daniel Vorcaro enfrentam forte resistência de autoridades responsáveis pela investigação do caso envolvendo o Banco Master. O principal entrave está relacionado ao valor oferecido pelo empresário para ressarcimento dos prejuízos e ao prazo apresentado para devolução dos recursos investigados.


Integrantes da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal avaliam que a proposta apresentada até agora está abaixo do esperado. A defesa de Vorcaro sugeriu devolver cerca de R$ 40 bilhões em um período de dez anos, enquanto investigadores trabalham com uma exigência próxima de R$ 60 bilhões.


O acordo preliminar foi encaminhado às autoridades no início de maio e ainda depende de análises sobre condições financeiras, benefícios penais e eventual homologação judicial. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça no Supremo.


Nos bastidores da investigação, a avaliação é de que a recomposição dos prejuízos precisa ocorrer com garantias concretas e em prazo menor. Investigadores temem repetir situações registradas em acordos firmados durante a Operação Lava Jato e no caso da J&F, quando empresas e investigados recorreram posteriormente à Justiça para renegociar pagamentos.


Outro fator que aumenta a pressão sobre o ex-banqueiro é a liquidação do Banco Master. Sem uma estrutura operacional ativa, autoridades questionam a capacidade de sustentação de pagamentos futuros e cobram detalhamento sobre a localização de ativos e patrimônio vinculados ao empresário.


Investigadores aguardam informações sobre recursos mantidos em fundos de investimento, imóveis, aeronaves, obras de arte e operações em paraísos fiscais. Os custos atribuídos à quebra da instituição financeira já ultrapassariam R$ 57 bilhões, sendo grande parte ligada ao ressarcimento de clientes pelo Fundo Garantidor de Créditos.


Além das exigências financeiras, integrantes da investigação consideram que o conteúdo entregue até agora pela defesa apresenta poucas informações inéditas. A avaliação é de que os anexos enviados não acrescentam elementos robustos ao material já reunido pela Polícia Federal.


Enquanto a negociação segue travada, novas fases da Operação Compliance Zero continuam avançando. Outro investigado no caso, Fabiano Zettel, também estaria avaliando uma possível colaboração, cenário que reduz o poder de negociação de Vorcaro diante das autoridades.


Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos, e voltou a ser detido em março deste ano por determinação do Supremo. Para avançar em um eventual acordo, o empresário deverá admitir participação nos crimes investigados, apresentar provas consistentes e detalhar o funcionamento do esquema apurado pelas autoridades.




 
 
 

Comentários


bottom of page