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Barra Mansa afunda em crise previdenciária: TCE-RJ aponta irregularidades e coloca gestão Furlani sob pressão

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 2 minutos
4 min de leitura

Falta de repasses ao fundo de previdência, parcelamento de dívidas em 60 vezes e atrasos nos pagamentos de aposentados e pensionistas formam um cenário alarmante. Prefeito terá de explicar por que a previdência municipal chegou a essa situação.


Barra Mansa atravessa um momento que exige muito mais do que discursos otimistas, anúncios de obras e publicidade institucional. A situação financeira e administrativa do município começa a apresentar sinais preocupantes, e o mais grave é que os problemas atingem diretamente uma das áreas mais sensíveis da administração pública: a previdência dos servidores municipais.


Uma análise do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), referente à prestação de contas do exercício de 2025, colocou a administração do prefeito Luiz Antonio Furlani Filho diante de um sério questionamento. No Processo nº 216.650-9/2026, o corpo técnico do tribunal e o Ministério Público de Contas manifestaram-se contrariamente à aprovação das contas, apontando irregularidades relacionadas à gestão previdenciária.


É um sinal de alerta que não pode ser tratado como simples divergência contábil.


DINHEIRO DA PREVIDÊNCIA VIROU PROBLEMA DE GESTÃO


Entre os problemas identificados está a falta de repasse integral das contribuições previdenciárias patronais ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), além de questionamentos sobre as contribuições dos servidores e o atraso no pagamento de parcelamentos anteriormente formalizados.


A gravidade da situação ganha outra dimensão quando se observa uma medida adotada pela própria administração municipal.


Em 5 de março de 2026, foi sancionada a Lei Municipal nº 6.140, autorizando o parcelamento, em 60 prestações mensais, de débitos patronais referentes aos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2025, além do décimo terceiro salário daquele ano.


A legislação prevê atualização monetária, juros e até a vinculação de receitas do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como garantia para o pagamento das parcelas.


Em outras palavras, a Prefeitura precisou recorrer a um parcelamento de longo prazo para regularizar obrigações previdenciárias que deveriam ter sido cumpridas durante o exercício financeiro.

A pergunta é inevitável: por que o município deixou de transferir esses recursos no momento devido?


E outra questão precisa ser respondida: se os parcelamentos já existentes também apresentam atrasos, qual é a garantia de que os novos compromissos serão cumpridos?


O PROBLEMA JÁ ATINGIU APOSENTADOS E PENSIONISTAS


A crise previdenciária não é apenas uma discussão entre números, relatórios e documentos oficiais.


Em janeiro de 2026, aposentados e pensionistas de Barra Mansa enfrentaram problemas no recebimento dos benefícios de dezembro. Reportagem do jornal aQui registrou que aproximadamente 500 beneficiários aguardavam a regularização dos pagamentos. Na ocasião, o prefeito informou que a folha dos 2.801 inativos representava cerca de R$ 14 milhões.


O episódio mostrou que as dificuldades financeiras do sistema previdenciário já tinham consequências concretas para pessoas que dependem desses recursos para sobreviver.


A aposentadoria não é favor de prefeito, não é benefício político e muito menos instrumento de negociação administrativa. É um direito construído por décadas de trabalho e contribuição.


Quando o pagamento de aposentados e pensionistas entra em dificuldade, o problema deixa de ser exclusivamente financeiro e passa a atingir a dignidade de milhares de famílias.


UM MUNICÍPIO QUE PRECISA EXPLICAR SUAS PRIORIDADES

A situação também exige uma discussão mais ampla sobre as prioridades do governo municipal.

Enquanto o sistema previdenciário enfrenta dificuldades, a população precisa de respostas sobre o planejamento das despesas, a capacidade de arrecadação, os compromissos assumidos e a qualidade da gestão dos recursos públicos.


Não se pode administrar uma cidade como se o orçamento fosse uma conta que pode ser empurrada indefinidamente para o futuro.

Parcelar dívidas não significa eliminar problemas. Significa assumir compromissos que precisarão ser pagos com receitas futuras, reduzindo a margem financeira disponível para outras necessidades.


E é justamente aí que mora o perigo: uma administração que acumula obrigações e depende de parcelamentos pode comprometer a capacidade de investimento e a prestação de serviços públicos.

Barra Mansa precisa de planejamento, equilíbrio financeiro e responsabilidade com o dinheiro do contribuinte. Não pode continuar convivendo com problemas que acabam transferindo para o futuro a conta de decisões tomadas no presente.


E A CÂMARA MUNICIPAL?


Outro ponto que merece atenção é o papel dos vereadores.

A Câmara aprovou o parcelamento dos débitos previdenciários proposto pelo Executivo. A aprovação de uma lei, entretanto, não encerra a obrigação de fiscalizar.


Os vereadores precisam acompanhar o cumprimento dos acordos, cobrar informações sobre os valores efetivamente pagos, verificar a situação do Previbam e exigir explicações sobre os atrasos apontados pelo Tribunal de Contas.


Não basta aprovar projetos encaminhados pela Prefeitura. O Legislativo existe também para fiscalizar, questionar e impedir que problemas administrativos se transformem em prejuízos permanentes para a população.


A previdência dos servidores não pode ficar à mercê de acordos políticos ou da conveniência do governo de plantão.


FURLANI PRECISA DAR EXPLICAÇÕES À POPULAÇÃO


O prefeito Luiz Furlani tem uma responsabilidade política e administrativa que não pode ser transferida para governos anteriores, secretários ou servidores técnicos.


Cabe ao chefe do Executivo explicar por que as contribuições patronais deixaram de ser repassadas, quais providências foram tomadas para recuperar os valores, qual é a situação atual dos parcelamentos e de onde sairão os recursos necessários para manter o sistema previdenciário.


Segundo a decisão relatada, foi concedido prazo de dez dias, a partir da ciência, para apresentação de defesa escrita.


É importante esclarecer que a manifestação técnica contrária à aprovação das contas ainda não representa uma rejeição definitiva. O processo precisa seguir sua tramitação, com análise da defesa e deliberação do TCE-RJ. Posteriormente, o parecer prévio será submetido ao julgamento político da Câmara Municipal.


Mas isso não diminui a gravidade dos apontamentos.

Barra Mansa não pode normalizar atrasos em aposentadorias, dívidas previdenciárias e questionamentos sobre a administração do dinheiro público.


A cidade precisa saber em que condições estão suas finanças, quanto deve, quanto está pagando e quais compromissos ainda podem comprometer os próximos exercícios.


O que está em jogo não é apenas a imagem política de Luiz Furlani. É a segurança dos servidores, a capacidade financeira da Prefeitura e a confiança da população na administração municipal.


Barra Mansa não pode continuar caminhando para um buraco financeiro enquanto a população recebe discursos de normalidade. O dinheiro público exige responsabilidade, e a previdência dos trabalhadores exige respeito.






 
 
 

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