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Barra Mansa precisa parar de eleger quem só aparece na cidade em época de eleição

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 21 minutos
3 min de leitura

Barra Mansa precisa fazer uma reflexão séria sobre o próprio voto. Há décadas, a cidade convive com um problema que ajuda a explicar a dificuldade de transformar demandas locais em força política: a escolha de candidatos de fora para representar o município na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.


Não se trata de impedir ninguém de disputar uma eleição. Qualquer candidato que cumpra as exigências da legislação tem o direito de pedir votos em Barra Mansa. A questão é outra: qual é o compromisso de quem recebe o voto do barra-mansense?


Deputado estadual e deputado federal não são vereadores. Mas, quando a cidade precisa de recursos, obras, investimentos, hospitais, infraestrutura, segurança, mobilidade ou atenção do governo estadual e federal, ter representantes com vínculo efetivo com o município pode facilitar a cobrança política e a defesa de pautas locais.


O eleitor precisa se perguntar: quem estará presente depois da eleição?


Quem mora em Barra Mansa, trabalha aqui, conhece os bairros, conhece os problemas e circula pela cidade pode ser encontrado pela população. Pode ouvir uma reclamação na rua, participar de uma reunião, receber uma cobrança e explicar o que está fazendo pelo município.


Já o candidato que aparece apenas durante a campanha, pede o voto, faz uma promessa e depois desaparece precisa responder a uma pergunta simples: onde ele estará quando Barra Mansa precisar dele?


O problema não é o candidato ser de outra cidade. O problema é transformar Barra Mansa em um verdadeiro depósito de votos para políticos que têm sua principal base eleitoral em outros municípios.


A cidade tem problemas demais para continuar tratando eleição como se fosse apenas uma escolha individual. A falta de representatividade política tem consequências. Quando o município não consegue eleger representantes com compromisso público e permanente com suas demandas, outras cidades ocupam esse espaço e naturalmente passam a defender suas próprias prioridades.


E isso não significa votar automaticamente em qualquer candidato barra-mansense. Ser da cidade não é salvo-conduto. O eleitor deve analisar história, propostas, atuação, compromisso e capacidade de representar os interesses do município.


Mas existe uma diferença fundamental: o candidato local precisa ser cobrado pelo eleitor local.


Barra Mansa tem mais de 170 mil habitantes. É uma cidade importante do Médio Paraíba, com problemas históricos e demandas que exigem representação política. Não pode continuar sendo lembrada por candidatos de fora apenas quando chega o período eleitoral.


O eleitor também precisa abandonar a cultura do voto por amizade, por favor, por promessa de emprego, por fotografia ou por indicação de terceiros. Deputado não é vereador de bairro e mandato parlamentar não deveria ser tratado como favor pessoal.


Voto é representação.


Por isso, antes de apertar o botão da urna, o barra-mansense deveria fazer algumas perguntas: esse candidato conhece Barra Mansa? Mora aqui? Tem trabalho pela cidade? Vai voltar depois da eleição? Tem endereço político acessível? Vai atender a população? Vai defender as demandas do município ou apenas buscar votos aqui?


Se a resposta for não, é preciso pensar duas vezes.


Barra Mansa não precisa fechar suas portas para candidatos de outras cidades. Precisa, isso sim, abrir os olhos para o próprio potencial político.


Enquanto o eleitor continuar entregando milhares de votos para candidatos que têm suas bases eleitorais em outros municípios, não pode reclamar depois da falta de representação.


A mudança começa na urna.


Barra Mansa precisa eleger deputados que tenham compromisso com Barra Mansa. Gente que conheça a cidade, que esteja presente, que possa ser encontrada e, principalmente, que possa ser cobrada.


Porque depois que a eleição termina, fotografia e promessa não resolvem problema.


O que fica é o mandato.


E Barra Mansa precisa decidir se continuará emprestando seus votos ou se começará, de fato, a construir sua própria representação política.

Foto Arquivo



 
 
 

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