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Barra Mansa registra R$ 5 milhões em saques no escândalo da Ceperj

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 1 hora
  • 3 min de leitura

A cidade de Barra Mansa voltou a aparecer no noticiário estadual por um motivo preocupante: o volume de dinheiro em espécie sacado em operações ligadas ao escândalo da Fundação Ceperj. Dados das investigações apontam que cerca de R$ 5 milhões foram retirados em caixas eletrônicos no município por pessoas vinculadas a programas administrados pelo órgão estadual.


O número chama atenção porque faz parte de um montante muito maior: mais de R$ 220 milhões sacados em dinheiro vivo em diferentes cidades do estado. Para o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o método de pagamento é incompatível com a legislação que regula vínculos temporários no serviço público e pode indicar um esquema de fraude e desvio de recursos.


No Sul Fluminense, além de Barra Mansa, a cidade de Volta Redonda também aparece nas investigações, com cerca de R$ 4 milhões em saques relacionados ao mesmo programa.


A rotina dos saques


Depoimentos colhidos durante a investigação revelam uma rotina incomum nas agências bancárias. Entre os dias 5 e 15 de cada mês, de 70 a 100 pessoas por dia compareciam para retirar valores vinculados aos programas da Ceperj.


Segundo relatos de funcionários ouvidos nas apurações, parte desse dinheiro retornaria posteriormente aos responsáveis pela distribuição das vagas, em um mecanismo semelhante ao conhecido esquema de “rachadinha”. O modelo levanta suspeitas sobre a existência de contratações sem função real ou com finalidade política.


Casa do Trabalhador sob suspeita



O escândalo também lança novas dúvidas sobre programas implementados no interior do estado, entre eles a Casa do Trabalhador em Barra Mansa.


A unidade foi inaugurada em 15 de fevereiro de 2022, com a presença do governador Cláudio Castro e do então prefeito Rodrigo Drable. Instalada no pátio da prefeitura, na Rua Luís Ponce, no Centro da cidade, a estrutura foi anunciada como um espaço voltado à qualificação profissional e intermediação de empregos.


No entanto, auditorias conduzidas pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro apontaram uma série de irregularidades em programas administrados pela Ceperj. Entre os problemas identificados estão:

• contratações sem transparência;

• pagamentos a pessoas sem comprovação de atividade;

• núcleos de projetos que não funcionavam;

• utilização de uma chamada “folha secreta”, com pagamento em dinheiro.


O rastro político


As investigações também apontam que a distribuição dos cargos vinculados aos programas teria forte influência política. Entre os nomes citados está o deputado estadual Rodrigo Bacellar, que teve atuação no governo estadual e base política em Campos dos Goytacazes — cidade que registrou cerca de R$ 12 milhões em saques, o maior valor identificado até agora.


Para os investigadores, a estrutura pode ter sido usada para manter uma rede de contratações com finalidade política, utilizando recursos públicos para alimentar bases eleitorais.


O julgamento que pode ampliar o escândalo


O caso ganha um novo capítulo nesta semana no Tribunal Superior Eleitoral, que analisa ações relacionadas ao possível uso eleitoral dos programas vinculados à Ceperj.


A Corte avalia se as contratações e pagamentos foram utilizados para favorecer candidaturas durante o período eleitoral. Caso as irregularidades sejam confirmadas, o processo pode resultar em punições políticas e aprofundar ainda mais as investigações.


Enquanto isso, em cidades como Barra Mansa, permanece a pergunta que ainda não foi respondida com clareza: quem recebeu o dinheiro, que trabalho foi realmente realizado e quem se beneficiou politicamente desse sistema?

Foto Divulgação



 
 
 

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