Barra Mansa tem mais de R$ 3,8 milhões em suspeitas de desvios em 2025. E nenhum culpado.
- Marcus Modesto
- 7 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
O ano de 2025 tem exposto, de forma dramática, a fragilidade da gestão pública em Barra Mansa. Uma série de escândalos envolvendo dinheiro público escancarou a omissão institucional, o silêncio da imprensa local e a falta de punição aos responsáveis. A sensação generalizada entre os moradores é de abandono — e, pior, de impunidade.
Na Câmara Municipal, vereadores protagonizaram um dos episódios mais revoltantes do ano. A compra de dois corolas de luxo por mais de R$ 300 mil, acima do valor de mercado, gerou indignação. Além disso, foi alugado um carro para cada vereador, sem qualquer critério transparente ou justificativa técnica. Os contratos não foram publicizados, e a população não teve acesso às razões para esse gasto abusivo.
Já no Executivo, outro escândalo veio à tona: um esquema de pagamentos inflados na folha salarial da Prefeitura. Só no mês de abril, o rombo foi superior a R$ 150 mil. Se repetido ao longo do ano, esse desvio pode ultrapassar R$ 1,8 milhão em recursos públicos. Nenhum servidor foi responsabilizado até o momento, e não há qualquer indício de devolução dos valores aos cofres públicos.
O SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) também entrou no radar das denúncias. Um contrato no valor de R$ 1 milhão foi assinado com uma empresa do setor de ferro fundido — que, de forma totalmente incompatível com sua atividade principal, passou a prestar “serviços de segurança”. A ausência de licitação competitiva e a natureza estranha da contratação levantam sérias suspeitas sobre o real objetivo do acordo.
Além disso, o próprio SAAE é acusado de reajustar abusivamente as contas de água e de operar com contratos pouco transparentes. Estima-se que cerca de R$ 750 mil estejam comprometidos em acordos firmados sem clareza e com fiscalização limitada.
Estimativa de recursos públicos envolvidos nos principais escândalos de 2025:

Escândalo Valor Estimado
Câmara Municipal (veículo) R$ 300 mil
Folha de pagamento irregular R$ 1,8 milhão
Contrato de segurança (SAAE) R$ 1 milhão
Tarifas e contratos obscuros (SAAE) R$ 750 mil
TOTAL R$ 3,85 milhões
Enquanto isso, o cidadão de Barra Mansa sente-se à margem do debate. A Câmara é omissa, não fiscaliza nem investiga. A imprensa local, em grande parte, silencia. Não há coletivas, CPIs ou audiências públicas para debater os desvios. E o Ministério Público segue inerte, mesmo diante da gravidade dos fatos.
A sucessão desses escândalos não representa apenas má gestão: evidencia uma crise estrutural, que coloca em risco a confiança do cidadão nas instituições. Em vez de ações corretivas, o que se vê é um jogo de empurra, onde ninguém é responsabilizado e tudo cai no esquecimento.
Barra Mansa merece respostas. E, acima de tudo, merece respeito.




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