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Barra Mansa é a cidade mais violenta do Sul Fluminense — e ainda precisa explicar como vai proteger suas mulheres

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 22 horas
  • 3 min de leitura

Barra Mansa vai realizar, na próxima segunda-feira (17), o II Workshop “Vozes de Proteção”, em alusão aos 20 anos da Lei Maria da Penha. O evento pretende reunir autoridades, profissionais e representantes da rede de proteção para discutir mecanismos de enfrentamento à violência contra a mulher.


A iniciativa é válida. Mas, diante da realidade de Barra Mansa, é impossível tratar a programação apenas como uma celebração.


Barra Mansa é hoje a cidade mais violenta do Sul Fluminense em números absolutos de homicídios, segundo os dados de criminalidade que vêm sendo divulgados com base nas estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ). Em 2025, foram registrados 63 homicídios dolosos no município, contra 48 em Volta Redonda, de acordo com levantamento divulgado a partir dos dados oficiais.


É diante dessa realidade que a Prefeitura precisa responder: o que está sendo feito, de fato, para proteger as mulheres de Barra Mansa?


Porque organizar um workshop é importante. Falar sobre a Lei Maria da Penha é necessário. Defender que “juntas, somos mais fortes” é bonito. Mas nenhuma mulher ameaçada estará protegida simplesmente porque uma autoridade participou de uma palestra.


A violência começa muitas vezes dentro de casa, com ameaças, agressões, perseguições e controle. Quando o poder público entra em cena, a resposta precisa ser rápida, eficiente e permanente.


E é justamente aí que está o desafio.


Uma mulher que denuncia o companheiro por violência precisa encontrar uma rede funcionando. Precisa de atendimento psicológico, assistência social, orientação jurídica, acolhimento e segurança. Precisa saber que sua denúncia não vai terminar em uma gaveta e que o agressor não terá novas oportunidades para transformar uma ameaça em tragédia.


A Prefeitura afirma que investimentos em tecnologia, viaturas, monitoramento e integração com as forças de segurança contribuíram para reduzir determinados indicadores criminais. Em outubro de 2025, por exemplo, o município informou queda de 20% nos registros de letalidade violenta em comparação com outubro de 2024.


Mas uma cidade não pode medir sua segurança apenas pelos números que melhoram. É preciso olhar também para aquilo que continua acontecendo.


E os homicídios continuam sendo uma ferida aberta.


Ser a cidade mais violenta do Sul Fluminense não é um título para ser comemorado, nem uma estatística que possa ser escondida atrás de ações pontuais. É um alerta para o governo municipal, para as forças de segurança e para toda a sociedade.


Por isso, o II Workshop “Vozes de Proteção” deveria ser muito mais do que um encontro institucional. Deveria servir para colocar perguntas difíceis sobre a mesa.


Quantas mulheres vítimas de violência estão sendo acompanhadas atualmente? Quantas possuem medidas protetivas? Como funciona o atendimento depois da denúncia? Existe estrutura suficiente para acolhimento? Como é feita a integração entre assistência social, saúde, segurança pública e Justiça? E, principalmente, quantas mulheres deixaram de ser vítimas porque receberam proteção antes que a violência chegasse ao extremo?


Essas são as perguntas que realmente importam.


A Lei Maria da Penha completa 20 anos como uma das principais conquistas brasileiras no combate à violência doméstica. Mas uma lei, por mais importante que seja, precisa sair do papel e chegar à vida real.


Em Barra Mansa, onde a violência continua sendo uma preocupação concreta e onde o município aparece à frente das demais cidades do Sul Fluminense em números absolutos de homicídios, não há espaço para discursos vazios ou ações meramente simbólicas.


A cidade precisa de prevenção. Precisa de estrutura. Precisa de políticas públicas permanentes. Precisa de proteção para quem denuncia.


O workshop será realizado às 18h30, no Auditório do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM), no Centro.


Que as vozes das mulheres sejam realmente ouvidas.


E que, depois do evento, essas vozes não sejam esquecidas quando as portas do auditório forem fechadas.


Porque, em uma cidade que carrega o peso de ser a mais violenta do Sul Fluminense, proteger mulheres não pode ser apenas tema de workshop. Tem que ser prioridade de governo.

Foto Divulgação



 
 
 

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