Bolsonaro e o Desespero de Quem Teme a Justiça
- Marcus Modesto
- 16 de mar. de 2025
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Marcus Modesto
No ato realizado neste domingo (16) em Copacabana, Jair Bolsonaro (PL) mostrou, mais uma vez, sua verdadeira preocupação: não é o “amor pelo Brasil”, como ele insiste em repetir, mas sim o medo crescente de enfrentar a Justiça. Em meio a uma série de acusações graves – incluindo a tentativa de golpe de Estado –, o ex-presidente tenta transformar um ato de defesa pessoal em uma cruzada nacional pela “liberdade”.
A narrativa de perseguição, repetida exaustivamente em seu discurso, serve para mascarar os fatos. Bolsonaro ignora que as investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não nasceram de uma conspiração, mas de evidências concretas. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra ele e o chamado “Núcleo 1” é robusta: não se trata de “fumaça do golpe”, como afirmou, mas de provas documentadas pela Polícia Federal.
Ao lado de figuras conhecidas do bolsonarismo – de políticos investigados a líderes religiosos –, o ex-presidente encenou uma nova tentativa de mobilizar sua base em torno da pauta da anistia. No entanto, pedir perdão para aqueles que atacaram as instituições em 8 de janeiro é uma afronta ao Estado Democrático de Direito. O que Bolsonaro chama de “armadilha” foi, na verdade, um ataque organizado por seus apoiadores mais radicais, incentivados por sua retórica antidemocrática e golpista.
O desespero do ex-presidente e de seus aliados fica evidente na insistência em desacreditar o STF, em especial o ministro Alexandre de Moraes, responsável por conduzir os principais inquéritos. É uma estratégia já conhecida: atacar as instituições para desviar a atenção das próprias irregularidades.
Curiosamente, Bolsonaro, que afirma não ter obsessão pelo poder, insiste em se colocar como peça central na política brasileira. Ao dizer que eleições sem ele em 2026 significariam negar a democracia, Bolsonaro ignora que a democracia não é um projeto pessoal – é um sistema que funciona apesar de figuras como ele.
A mobilização deste domingo teve, no fundo, um objetivo claro: pressionar as instituições, tentar desacreditar as investigações e impedir que a Justiça siga seu curso. Mas, por mais que ele e seus aliados gritem aos quatro ventos, os fatos permanecem: há indícios graves de que Bolsonaro e seu círculo mais próximo tentaram subverter o resultado eleitoral e, diante disso, não cabe anistia – cabe responsabilização.
No fim, o ato de Copacabana foi mais um capítulo de uma estratégia que já não convence a maioria dos brasileiros. Enquanto Bolsonaro tenta se apresentar como vítima, a Justiça segue avançando. E, por mais que ele negue, a realidade está se impondo: quem ataca a democracia deve responder por seus atos .




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