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Brasil articula reação após EUA avançarem com proposta de tarifa sobre exportações nacionais

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 8 minutos
  • 2 min de leitura

O governo federal iniciou nesta terça-feira (2) uma série de discussões para definir a resposta brasileira à proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. A medida foi recomendada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) após a conclusão de uma investigação comercial que analisou políticas econômicas e regulatórias brasileiras.


A reunião de emergência reúne integrantes da equipe econômica e diplomática do governo, entre eles o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e representantes do Ministério das Relações Exteriores. O encontro busca alinhar uma estratégia que preserve os interesses comerciais do país e mantenha aberto o canal de negociações com Washington.


O relatório apresentado pelo governo norte-americano aponta supostas preocupações em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, mercado de etanol, combate ao desmatamento, medidas anticorrupção e até mesmo o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. A inclusão de alguns desses temas gerou questionamentos dentro do governo brasileiro, que considera parte das alegações sem justificativas técnicas suficientes.


Apesar das críticas, integrantes da área econômica avaliam que a proposta divulgada pelos Estados Unidos ficou abaixo das projeções mais pessimistas que circulavam nos últimos meses. Outro aspecto considerado relevante é a previsão de exceções para determinados produtos, além da manutenção de espaço para negociações bilaterais antes de qualquer decisão definitiva.


Nos bastidores, a prioridade do governo brasileiro é intensificar o diálogo diplomático e buscar alternativas para evitar a adoção das tarifas. Uma das possibilidades em discussão é ampliar as tratativas do grupo de trabalho criado após o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, realizado em maio.


Ao mesmo tempo, autoridades analisam a utilização dos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil responder a medidas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses nacionais. A avaliação é de que qualquer decisão deverá equilibrar a defesa da competitividade das exportações brasileiras com a preservação das relações econômicas entre os dois países.


A recomendação apresentada pelo USTR ainda não tem efeito imediato. O processo entra agora em fase de consulta pública, permitindo que empresas, entidades representativas e demais interessados apresentem contribuições antes da decisão final do governo norte-americano.


O prazo para encerramento do procedimento está previsto para 15 de julho. Até lá, o governo brasileiro pretende ampliar as negociações para tentar reduzir os impactos da medida ou impedir sua implementação.


Os Estados Unidos figuram entre os principais parceiros comerciais do Brasil e representam um mercado estratégico para diversos segmentos da indústria nacional. Por isso, o avanço da proposta tarifária é acompanhado com atenção por empresários, exportadores e autoridades, que temem reflexos sobre a competitividade dos produtos brasileiros e sobre o fluxo comercial entre as duas economias.



 
 
 

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