Brasil busca acordo com EUA e inclui combate ao crime transnacional nas tratativas comerciais
- Marcus Modesto
- há 6 dias
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O governo brasileiro avalia que surgiram sinais positivos nas conversas com os Estados Unidos para evitar a adoção de novas tarifas sobre produtos nacionais. Além das questões comerciais, as negociações passaram a incluir a possibilidade de ampliar a cooperação entre os dois países no enfrentamento ao crime transnacional.
A informação foi destacada nesta terça-feira (7) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, após uma série de encontros técnicos com representantes do governo norte-americano. Segundo ele, houve receptividade à proposta defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fortalecer ações conjuntas de segurança e inteligência contra organizações criminosas que atuam além das fronteiras.
O ministro informou que novas reuniões devem ocorrer nos próximos dias, incluindo um encontro com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes da conclusão da fase de consultas públicas que antecede uma decisão sobre possíveis medidas tarifárias.
Apesar da abertura para discutir cooperação na área de segurança, o governo brasileiro reafirmou que seu principal objetivo continua sendo a negociação comercial. A orientação é concentrar esforços na tentativa de evitar barreiras que possam afetar as exportações brasileiras.
Outro ponto defendido pela equipe econômica é a retirada do etanol das discussões tarifárias. O governo argumenta que o biocombustível está diretamente ligado à cadeia produtiva do açúcar e que qualquer análise isolada pode gerar impactos negativos para produtores e para a indústria nacional.
A posição brasileira também destaca que o açúcar exportado pelo país enfrenta restrições significativas para acessar o mercado americano, o que, na avaliação do governo, precisa ser considerado em qualquer debate envolvendo o setor sucroenergético.
Durante audiências promovidas pelas autoridades comerciais dos Estados Unidos, representantes da indústria de biocombustíveis e do agronegócio brasileiro manifestaram apoio à estratégia do governo. As entidades afirmam que a redução das compras de etanol norte-americano pelo Brasil está relacionada principalmente ao crescimento da produção nacional, especialmente do etanol de milho, e não apenas à política tarifária.
As tratativas acontecem paralelamente a uma investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos com base na chamada Seção 301 da legislação comercial americana. O mecanismo permite a análise de práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos do país e pode resultar na adoção de sobretaxas ou outras restrições comerciais contra parceiros estrangeiros.
No caso do Brasil, a investigação envolve temas como comércio digital, propriedade intelectual e compras governamentais. A expectativa do governo brasileiro é avançar nas negociações antes da conclusão do processo e evitar medidas que possam prejudicar o fluxo de comércio entre as duas maiores economias das Américas.




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