Caiado sinaliza saída do União Brasil para manter projeto presidencial em 2026
- Marcus Modesto
- 27 de jan.
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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou nesta terça-feira (27) que pretende deixar o União Brasil com o objetivo de preservar sua pré-candidatura à Presidência da República. Filiado ao partido há mais de 30 anos, Caiado afirmou que já comunicou a decisão à direção da legenda e que mantém conversas avançadas com outras siglas para viabilizar sua entrada na disputa pelo Palácio do Planalto.
A decisão ocorre em um momento de impasse interno no União Brasil, que ainda não chegou a um consenso sobre o lançamento de uma candidatura própria em 2026. Segundo Caiado, a indefinição tornou inviável a continuidade de seu projeto dentro do partido, forçando a busca por um novo caminho político. As informações são do site Congresso em Foco.
Conversa direta com a cúpula partidária
Em entrevista à rádio Novabrasil, o governador revelou que tratou do assunto diretamente com o ex-prefeito de Salvador e dirigente nacional da sigla, ACM Neto. “Já disse para o ACM Neto que estou procurando outro partido para me candidatar. Isso é uma realidade que não posso esperar mais. Eu vou até o fim, minha história de vida credencia isso”, declarou.
Caiado acrescentou que o diálogo com outras legendas já está em curso e que o foco agora é avançar na estruturação da campanha presidencial. “Estou em contato com outros partidos, o entendimento é de nós avançarmos para nossa campanha”, afirmou.
Federação com o PP e divisão interna
A pré-candidatura de Caiado foi lançada em abril, justamente quando o União Brasil passou a discutir a formação de uma federação com o PP. Desde então, o partido enfrenta divergências internas sobre a estratégia eleitoral para 2026, incluindo a possibilidade de abrir mão de um nome próprio e apoiar outro projeto presidencial.
Nas últimas semanas, ganhou força a hipótese de apoio à eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cenário que reduziu ainda mais o espaço político de Caiado dentro da legenda.
Assédio de outras siglas
O impasse abriu caminho para o interesse de outros partidos em abrigar a candidatura do governador goiano. O Solidariedade aparece como principal interessado. A sigla formou uma federação com o PRD no fim de 2025, buscando cumprir a cláusula de desempenho, e vê na candidatura presidencial uma oportunidade de ampliar sua visibilidade nacional.
O presidente do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), tem atuado pessoalmente para atrair Caiado, apostando no fortalecimento político da federação nas eleições de 2026.
Experiência eleitoral e discurso de frente ampla
Caso confirme a mudança de partido, esta será a segunda vez que Ronaldo Caiado disputará a Presidência da República. A primeira foi em 1989, pelo extinto PSD, quando obteve 0,72% dos votos válidos e ficou em décimo lugar entre 22 candidatos.
Na entrevista, o governador também defendeu a necessidade de o campo conservador lançar mais de um nome na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O que Lula quer é um candidato só. Como é que você enfrenta, com um candidato só, uma máquina de governo?”, questionou.
Cenário fragmentado na direita
Além de Caiado, outros nomes já se apresentam como pré-candidatos no campo conservador, entre eles Flávio Bolsonaro (PL), Aldo Rebelo (DC) e Romeu Zema (Novo). O PSD também avalia lançar candidatura própria, com os governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) figurando entre os mais cotados.
A movimentação de Caiado reforça o cenário de fragmentação e intensa articulação partidária que marca o início da corrida presidencial de 2026, indicando que o tabuleiro político ainda deve passar por mudanças significativas até a definição das candidaturas.




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