Carla Madeira destaca força da leitura e anuncia novo romance durante a Flipelô
O Largo do Pelourinho, em Salvador, foi cenário de uma noite dedicada à literatura e ao diálogo. Diante de uma plateia numerosa, a escritora mineira Carla Madeira participou da 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) e falou sobre leitura, escrita, relações familiares e os caminhos que transformam um livro em ponto de encontro entre diferentes pessoas.
Autora de sucessos como Tudo é Rio, A Natureza da Mordida e Véspera, Carla Madeira é atualmente uma das escritoras brasileiras de maior alcance comercial, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos. Para ela, o crescimento dos clubes de leitura e das discussões literárias nas redes sociais mostra que os leitores passaram a enxergar os livros também como instrumentos de convivência e troca de ideias.
Na avaliação da escritora, conversar sobre uma obra depois da leitura amplia a experiência proporcionada pelo livro. Discordâncias, interpretações diferentes e críticas, segundo ela, fazem parte de um processo capaz de aproximar leitores e estimular novas formas de compreender o mundo.
Apesar desse movimento, Carla Madeira chama atenção para um desafio que permanece no país: o acesso à leitura ainda é desigual. Ela defende que o incentivo aos livros não pode depender apenas da iniciativa individual e que políticas públicas são fundamentais para ampliar o contato da população com a literatura.
Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024 pelo Instituto Pró-Livro, mostram que 47% dos brasileiros com cinco anos ou mais se declararam leitores. O levantamento também revelou que 53% não haviam lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa.
Para a escritora, os números precisam ser analisados levando em consideração fatores como educação, renda, acesso aos livros e até as condições existentes dentro de casa para que uma pessoa consiga desenvolver o hábito da leitura.
Novo romance chega ainda neste mês
Durante a participação na Flipelô, Carla Madeira também revelou detalhes de seu próximo trabalho. O novo romance, Quando, tem lançamento previsto para este mês e apresenta uma história marcada por relações familiares, espera e conflitos.
A narrativa acompanha uma mãe gravemente doente que aguarda a oportunidade de reencontrar o filho, de quem está afastada há duas décadas. A história também resgata acontecimentos de 1986, período marcado pela redemocratização brasileira e pelas consequências ainda presentes do regime militar.
A obra começou a ser desenvolvida durante um período particularmente difícil da vida da autora, marcado por três perdas próximas: a morte da mãe, do psicanalista e da sócia. Carla Madeira, no entanto, ressalta que o livro não é autobiográfico.
A experiência dos lutos, segundo a escritora, esteve relacionada ao processo de busca pela linguagem como forma de organizar sentimentos e compreender acontecimentos. A literatura, nesse sentido, aparece como uma maneira de elaborar aquilo que muitas vezes é difícil expressar.
Família e maternidade no centro da narrativa
A maternidade volta a ocupar um espaço importante na nova obra. O tema também aparece em outros livros da autora e, para Carla Madeira, está diretamente relacionado à maneira como cada pessoa começa a construir sua visão de mundo.
A família, em sua literatura, surge como o primeiro ambiente de formação do indivíduo, espaço onde são estabelecidos vínculos, valores e conflitos que podem acompanhar uma pessoa por toda a vida.
A participação da escritora foi um dos momentos de destaque da programação da Flipelô, que reuniu autores, leitores e admiradores da literatura no centro histórico de Salvador. A décima edição do evento começou na quarta-feira (5) e foi encerrada neste domingo (9), consolidando a festa literária como um dos principais encontros culturais do país.




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