Caso Master: silêncio sobre Flávio Bolsonaro coloca André Mendonça sob forte pressão
A condução do caso Banco Master pelo ministro André Mendonça começa a levantar uma pergunta incômoda: por que Flávio Bolsonaro ainda não foi ouvido formalmente nas investigações?
O senador e candidato à Presidência aparece no conjunto de fatos relacionados ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. Reportagens apontam que Flávio teria solicitado recursos a Daniel Vorcaro e que a Polícia Federal investiga repasses ligados ao projeto.
Até o momento, porém, não há notícia pública de que Flávio tenha prestado depoimento no caso. Ao mesmo tempo, Mendonça determinou medidas de grande impacto contra integrantes da Polícia Federal e passou a protagonizar uma disputa institucional que colocou o Supremo Tribunal Federal no centro de uma das maiores crises recentes entre Judiciário e Polícia Federal.
O problema não é apenas quem foi ouvido, mas quem não foi.
Se existem gravações, mensagens, transferências financeiras e relações entre investigados que precisam ser esclarecidas, o mínimo esperado de uma investigação dessa magnitude é que todos os personagens potencialmente relevantes sejam tratados segundo os mesmos critérios — independentemente de partido, sobrenome ou posição política.
E há outro ponto que merece atenção: o próprio Mendonça confirmou ter ouvido Daniel Vorcaro sem a presença da Polícia Federal, embora com participação do Ministério Público. O depoimento ocorreu sob sigilo e gerou questionamentos sobre a forma como o processo vem sendo conduzido.
Isso cria uma situação institucional delicada.
De um lado, Mendonça abriu o caminho para que informações envolvendo Alexandre de Moraes e Vorcaro viessem a público e colocou sob escrutínio a atuação de autoridades no caso. De outro, quando surgem questionamentos envolvendo um candidato à Presidência que é diretamente citado nas investigações, a sociedade tem o direito de perguntar por que não existe o mesmo grau de transparência e rigor.
Justiça não pode ter dois pesos e duas medidas.
Se Flávio Bolsonaro não tem qualquer irregularidade a explicar, seu depoimento poderia justamente contribuir para esclarecer os fatos. Se existem elementos que o vinculam às operações investigadas, mais razão ainda para que seja ouvido. O que não combina com uma investigação dessa dimensão é a existência de personagens submetidos a intenso escrutínio enquanto outros permanecem à margem.
A situação se torna ainda mais sensível porque Flávio Bolsonaro não é um personagem periférico da política brasileira: é candidato à Presidência e, publicamente, vem defendendo Mendonça em meio à crise envolvendo o Supremo e a Polícia Federal.
Por isso, a imparcialidade de André Mendonça precisa ser não apenas afirmada, mas demonstrada na prática.
O ministro tem o dever de explicar quais critérios estão sendo utilizados para decidir quem será investigado, quem será ouvido, quais informações permanecerão sob sigilo e quais serão tornadas públicas. A sociedade não pode ficar com a impressão de que o caso está sendo conduzido conforme conveniências políticas.
Mendonça pode ter razões jurídicas para manter determinados elementos em segredo. Pode também ter fundamentos técnicos para determinadas decisões. Mas, quanto maior o poder concentrado nas mãos de um magistrado, maior deve ser a transparência sobre os critérios utilizados por ele.
O caso Master não pode se transformar em uma guerra entre grupos políticos dentro do STF. E muito menos em uma investigação que pareça atingir adversários enquanto poupa aliados.
Se há suspeitas, investigue-se. Se há inocência, demonstre-se. Se há provas, que sejam examinadas. Mas o tratamento precisa ser igual para todos.
É justamente por isso que a permanência de André Mendonça à frente do caso merece ser questionada. Não porque alguém deva ser protegido ou poupado, mas pelo princípio oposto: ninguém pode estar acima da investigação — nem mesmo quem hoje ocupa uma posição de poder dentro do Supremo Tribunal Federal.




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