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Cinebiografia de Bolsonaro entra em crise após denúncias trabalhistas e polêmica sobre financiamento milionário

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 15 de mai.
  • 2 min de leitura

A produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, mergulhou em uma forte crise de imagem após denúncias envolvendo condições de trabalho nos bastidores e suspeitas relacionadas ao financiamento do longa-metragem.


O caso ganhou dimensão nacional depois que vieram à tona relatos de figurantes e técnicos sobre supostos episódios de alimentação precária, atrasos de pagamento, contratação informal e até denúncias de assédio moral durante as gravações realizadas em São Paulo. As informações constam em relatório elaborado pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP), obtido pelo portal g1.


O documento reúne 15 registros formais feitos por trabalhadores ligados à produção e descreve um ambiente marcado por precarização e desigualdade de tratamento. Segundo os relatos, enquanto integrantes estrangeiros da equipe tinham acesso a refeições completas, figurantes brasileiros recebiam kits considerados insuficientes para jornadas superiores a oito horas.


As denúncias também citam fornecimento de comida estragada, pagamentos feitos em dinheiro sem documentação formal e cobranças relacionadas ao transporte dos trabalhadores até os locais de gravação. Parte das contratações teria ocorrido por grupos de WhatsApp, sem garantias trabalhistas previstas na legislação do setor audiovisual.


Outro ponto que ampliou a gravidade das acusações envolve relatos de revistas pessoais consideradas abusivas. Trabalhadores afirmaram ter sido submetidos a abordagens invasivas realizadas por seguranças nas entradas das locações. O relatório ainda menciona um caso de suposta agressão física contra um figurante, que teria registrado boletim de ocorrência.


Além das questões trabalhistas, a produção passou a enfrentar desgaste político após a divulgação de mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro e ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo reportagens divulgadas nesta semana, Vorcaro teria investido cerca de R$ 61 milhões no projeto entre fevereiro e maio de 2025.


As conversas reveladas mostram preocupação da equipe com atrasos financeiros e dificuldades para manter o andamento das filmagens. Em um dos áudios divulgados, Flávio Bolsonaro afirma que o projeto atravessava um “momento decisivo” e relata tensão interna causada por parcelas pendentes de pagamento.


A repercussão aumentou porque o valor atribuído ao suposto financiamento supera amplamente o orçamento de produções brasileiras recentes de grande alcance internacional. Dados da Ancine apontam que filmes nacionais premiados no exterior trabalharam com cifras muito inferiores às mencionadas no caso de “Dark Horse”.


A produtora GOUP Entertainment negou ter recebido qualquer recurso de Daniel Vorcaro ou de empresas ligadas ao banqueiro. Em nota, a empresa afirmou que não existe relação financeira entre o empresário e o longa-metragem, além de repudiar associações consideradas “indevidas” ao projeto.


Mesmo assim, o episódio ampliou o debate sobre transparência no financiamento audiovisual, condições de trabalho em grandes produções e o uso político de obras cinematográficas ligadas a figuras públicas. Nos bastidores do setor, produtores e profissionais da indústria passaram a questionar não apenas a origem dos recursos envolvidos, mas também o contraste entre o discurso político defendido por setores conservadores e as denúncias de precarização relatadas por trabalhadores da própria produção.


Dirigido por Cyrus Nowrasteh, com argumento do deputado Mario Frias, “Dark Horse” tenta retratar os bastidores da campanha presidencial de 2018 e o atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante o período eleitoral. O filme ainda busca distribuição internacional e segue cercado por controvérsias antes mesmo de chegar ao público.



 
 
 

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