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Clube Recanto no centro da SAF do Barra Mansa: silêncio, boatos e um acordo que envolve empresa recém-criada

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 28 de jan.
  • 3 min de leitura

Por Marcus Modesto


A criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Barra Mansa Futebol Clube avança, mas o processo levanta questionamentos cada vez mais sensíveis sobre transparência, preservação patrimonial e responsabilidades institucionais. No centro desse debate está o Clube Recanto, entidade histórica que integra o acordo costurado no âmbito do Ministério Público e que, até o momento, não apresentou publicamente sua posição sobre os impactos da negociação.


O acordo envolve a Promotoria de Justiça, a Prefeitura de Barra Mansa, o Barra Mansa FC e o Clube Recanto, com o objetivo de resolver pendências financeiras antigas. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a proposta teria sido aceita pelas partes, restando apenas a formalização jurídica. Ainda assim, nenhum documento foi tornado público, tampouco os termos que definem o papel do Recanto nesse novo arranjo.


A futura SAF será comandada pela MDE Sports & Investment Associates LTDA – EPP, empresa aberta em 14 de julho de 2025, com capital social declarado de apenas R$ 60 mil e menos de sete meses de existência formal. A companhia está registrada no CNPJ 61.725.352/0001-07 e tem sede na Rua Professora Milton Rangel, nº 38, apartamento 201, bairro Verbo Divino, em Barra Mansa.


Constam como sócios-administradores da empresa Emerson Martins Figueredo, Murilo Pessoa Seixas e Diogo do Amaral Macedo Amante. Apesar de o discurso oficial apontar para modernização e profissionalização do futebol, não há histórico público relevante do grupo na gestão de clubes profissionais, o que amplia a necessidade de cautela quando o acordo envolve entidades tradicionais e patrimônio consolidado.


É nesse contexto que o papel do Clube Recanto se torna ainda mais sensível. Nos bastidores, boatos persistentes indicam que o clube social poderia ser incorporado à estrutura da SAF ou ter parte de seu patrimônio integrado ao novo modelo. Oficialmente, não há confirmação dessas informações, mas a ausência de esclarecimentos públicos contribui para o aumento das especulações.


O Clube Recanto não é apenas um coadjuvante no acordo. Trata-se de uma entidade com patrimônio próprio, história  e importância social para Barra Mansa. Qualquer mudança em sua estrutura, finalidade ou ativos exige transparência absoluta, consulta aos associados e garantias jurídicas claras — nada disso foi apresentado até agora.


A situação se agrava diante de decisões já tomadas antes da assinatura do contrato. A MDE Sports, mesmo sendo uma empresa recém-criada, já recebeu as chaves do Estádio Leão do Sul, patrimônio esportivo ligado à história do clube e da cidade. A entrega antecipada levanta questionamentos semelhantes aos que recaem sobre o Recanto: quem responde legalmente por bens, obras e eventuais danos enquanto a SAF não existe formalmente?


Associados do Clube Recanto, ouvidos reservadamente, relatam desconhecimento total dos termos do acordo e preocupação com o futuro da entidade. Não há informações sobre assembleias, consultas internas ou mecanismos de proteção ao patrimônio social do clube.


Experiências recentes em outras cidades mostram que processos conduzidos sem debate público acabaram resultando na perda de identidade de clubes sociais, judicialização e conflitos internos prolongados. O risco, nesse caso, não é apenas esportivo — é institucional.


Fontes indicam que a Prefeitura de Barra Mansa acompanha e avaliza o acordo, mas novamente sem apresentar documentos, contrapartidas ou garantias públicas, especialmente no que diz respeito ao Clube Recanto.


A reportagem mantém espaço aberto para manifestação oficial da diretoria do Clube Recanto, bem como dos responsáveis pela MDE Sports, para que esclareçam os termos do acordo, confirmem ou desmintam os boatos e expliquem como será garantida a preservação do patrimônio e da história das instituições envolvidas.


Quando uma empresa com poucos meses de existência passa a ocupar posição estratégica em negociações que envolvem entidades históricas e patrimônio consolidado, o mínimo esperado é transparência total.


Silêncio, nesse caso, não é neutralidade. É risco.

Foto Reprodução



 
 
 

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