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Coaf aponta movimentações milionárias de Flávio Bolsonaro e levanta questionamentos sobre mansão de R$ 5,97 milhões

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 53 minutos
3 min de leitura

Relatórios indicam operações financeiras 7,19 vezes superiores ao esperado para a renda declarada do senador; repasse de R$ 520 mil de escritório de advocacia está entre as transações sob análise


O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou ao centro de questionamentos sobre suas finanças após relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontarem movimentações bancárias consideradas incompatíveis com a renda informada pelo parlamentar. Entre os registros que chamaram a atenção dos técnicos está o recebimento de aproximadamente R$ 520 mil de um escritório de advocacia, valor utilizado para quitar antecipadamente uma dívida relacionada à compra de uma mansão de quase R$ 6 milhões em Brasília.


As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo e repercutidas por outros veículos de imprensa neste sábado (24). Segundo os documentos, entre janeiro e março de 2024, Flávio movimentou cerca de R$ 1,3 milhão em suas contas bancárias. De acordo com a análise do Coaf, o volume das operações foi 7,19 vezes superior ao esperado com base na capacidade financeira informada pelo senador.


O caso levanta uma questão que precisa ser respondida com transparência: qual é a origem dos recursos utilizados nas operações e qual a natureza dos pagamentos recebidos?


R$ 520 mil para quitar dívida de mansão


Uma das transações destacadas ocorreu em março de 2024, quando o senador recebeu R$ 520.277,28 do escritório Gavioli e Viola Advogados Associados. Conforme os registros divulgados, o dinheiro foi destinado à quitação antecipada de uma obrigação imobiliária vinculada à mansão adquirida por Flávio em Brasília, avaliada em R$ 5,97 milhões.


O financiamento havia sido contratado em 2021 junto ao Banco de Brasília (BRB), com prazo previsto de 30 anos. Entretanto, a dívida foi liquidada em aproximadamente três anos, por meio de seis pagamentos extraordinários, cujos valores variaram de R$ 198 mil a R$ 997 mil.


A operação com o escritório de advocacia integra o conjunto de transações que despertaram a atenção dos órgãos responsáveis pelo acompanhamento de movimentações financeiras atípicas.


Investigação amplia a pressão por esclarecimentos


Os relatórios integram uma investigação da Polícia Federal que apura possíveis vínculos financeiros entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, em uma apuração relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas e plataformas de apostas on-line. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.


A existência de movimentações consideradas atípicas não comprova, por si só, a prática de crime. Cabe às autoridades investigar a origem dos recursos, esclarecer a natureza das operações e verificar se houve alguma irregularidade.


Ainda assim, os números apresentados pelo Coaf tornam legítima a cobrança por explicações detalhadas. Quando um agente público movimenta valores expressivos e utiliza centenas de milhares de reais para antecipar a quitação de um imóvel de alto padrão, a transparência sobre a origem do dinheiro é fundamental para que a sociedade possa avaliar os fatos.


Procurado pelo O Globo, Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre os apontamentos relatados na publicação. O advogado Bruno Gavioli Lopes, sócio do escritório que realizou o repasse, também não comentou os processos e as parcerias profissionais mencionados na reportagem.


O episódio amplia os questionamentos sobre o patrimônio e as movimentações financeiras do candidato do PL em plena disputa presidencial. Mais do que discursos políticos, o que a sociedade precisa são respostas documentadas, esclarecimentos objetivos e uma investigação conduzida com rigor, sem privilégios e sem prejulgamentos.

Foto Reprodução


 
 
 

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