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Crime organizado amplia domínio sobre postos de combustíveis no Rio e movimentações sob suspeita passam de R$ 40 bilhões

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 27 de jul.
  • 3 min de leitura

O mercado de combustíveis no estado do Rio de Janeiro se consolidou como uma das principais frentes de atuação do crime organizado, segundo investigações conduzidas pela Polícia Civil, Polícia Federal e Ministério Público. Nos últimos meses, uma série de operações revelou um esquema bilionário que envolve lavagem de dinheiro, fraudes fiscais, corrupção e infiltração de facções criminosas em redes de postos de combustíveis.


Levantamento aponta que, em um período de aproximadamente dez meses, nove grandes operações colocaram sob investigação mais de R$ 40 bilhões em movimentações financeiras consideradas suspeitas. As ações resultaram no cumprimento de dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes regiões do estado.


As apurações indicam que organizações criminosas, milícias, grupos ligados ao jogo do bicho e até agentes públicos estariam utilizando postos de combustíveis para ocultar recursos ilícitos e movimentar dinheiro de origem criminosa. Entre os métodos identificados estão empresas registradas em nome de laranjas, evasão fiscal e manipulação de operações comerciais.


O cenário preocupa também pela quantidade de irregularidades encontradas na fiscalização estadual. Dados da Secretaria de Estado de Fazenda revelam que praticamente a totalidade dos postos fiscalizados apresentou algum tipo de desconformidade, principalmente relacionada ao controle obrigatório da movimentação e comercialização de combustíveis.


Especialistas apontam que o setor desperta o interesse das organizações criminosas devido ao elevado volume de recursos movimentados diariamente, à intensa circulação de dinheiro em espécie e à dificuldade de rastrear todas as operações. Além da lavagem de dinheiro, investigações identificaram práticas como adulteração de combustíveis, fraude em bombas de abastecimento e entrega de volumes inferiores aos pagos pelos consumidores.


As investigações também revelaram a expansão das atividades criminosas para outras áreas da cadeia do setor, incluindo roubos de cargas, desvios de combustíveis por meio da perfuração de oleodutos e atuação em empresas de transporte e distribuição.


Entre as operações de maior repercussão está a Carbono Oculto, que identificou um esquema de alcance nacional envolvendo importações fraudulentas e a utilização de postos de combustíveis para movimentação financeira ilegal. Outra frente importante é a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que apura o uso de mais de 80 postos na Região Metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) estimam que o grupo investigado tenha movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões em seis anos.


As investigações alcançaram ainda figuras públicas. Entre os alvos estão políticos e ex-integrantes da administração pública suspeitos de participação nos esquemas, embora alguns deles tenham negado qualquer envolvimento nas irregularidades.


No combate às fraudes tributárias, a Secretaria de Fazenda reforçou a fiscalização nas divisas do estado com São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Caminhões transportando combustíveis passaram a ser submetidos a inspeções presenciais, medida que elevou significativamente a emissão de autos de infração e impulsionou a arrecadação do ICMS no setor.


Representantes do Instituto Combustível Legal alertam que centenas de postos fluminenses podem estar sob influência direta ou indireta de organizações criminosas. Segundo a entidade, a antiga predominância da sonegação fiscal deu lugar a um cenário mais complexo, marcado pela combinação de fraudes operacionais, adulteração de produtos e lavagem de dinheiro.


Para as autoridades, o avanço dessas organizações demonstra que o mercado de combustíveis se tornou estratégico para o financiamento de atividades ilícitas, exigindo fiscalização permanente, integração entre os órgãos de controle e aperfeiçoamento dos mecanismos de monitoramento financeiro.

Foto Arquivo



 
 
 

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