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Crise no Senado expõe tensão entre Lula e Alcolumbre após derrota de Jorge Messias no STF

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 7 de mai.
  • 3 min de leitura

A rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma das maiores crises políticas do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores de Brasília, o episódio passou a ser associado a uma conversa reservada entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, realizada semanas antes da votação que terminou com a derrota do governo no plenário.


Segundo relatos divulgados pela colunista Malu Gaspar, de O Globo, Alcolumbre procurou Lula durante a cerimônia de posse do novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. Na conversa, o senador teria demonstrado preocupação com investigações conduzidas pela Polícia Federal e com possíveis desdobramentos envolvendo aliados próximos.


Entre os assuntos mencionados estaria a delação do empresário Daniel Vorcaro, entregue aos investigadores nesta semana. De acordo com interlocutores, Alcolumbre afirmou que poderia ser alvo de acusações injustas e pediu apoio político ao presidente da República.


Ainda conforme relatos de bastidores, Lula respondeu que não teria como interferir em investigações conduzidas pela Polícia Federal, Ministério Público Federal ou STF. O presidente também teria defendido a atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmando que os procedimentos estariam sendo conduzidos com responsabilidade.


Rejeição de Jorge Messias ampliou desgaste político


Dias após o encontro reservado, Alcolumbre liderou articulações que culminaram na rejeição de Jorge Messias ao STF. O resultado surpreendeu o Palácio do Planalto e foi interpretado como um duro revés político para Lula no Congresso Nacional.


Nos bastidores do governo, aliados passaram a enxergar o movimento do Senado como uma reação política diante do avanço de investigações consideradas sensíveis para o presidente da Casa e seu entorno político.


Parlamentares próximos ao governo afirmam que Alcolumbre acompanha com preocupação apurações relacionadas ao fundo de pensão do Amapá, além de investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias do INSS e operações financeiras ligadas ao Banco Master.


Já interlocutores do presidente do Senado negam qualquer motivação retaliatória. Segundo aliados, a resistência ao nome de Jorge Messias já era forte dentro do Senado, especialmente entre parlamentares que defendiam um indicado com trajetória ligada ao Legislativo, como o senador Rodrigo Pacheco.


Decisões no Senado aumentaram suspeitas nos bastidores


Nos corredores do Congresso, movimentos recentes da presidência do Senado passaram a alimentar especulações políticas. Entre eles, a decisão de manter sob sigilo registros de entrada e saída do lobista conhecido como “Careca do INSS”, citado em investigações sobre fraudes envolvendo aposentadorias.


Também gerou repercussão a recusa da Casa em fornecer informações sobre acessos de Daniel Vorcaro ao Senado, além do arquivamento de pedidos para instalação da CPI do Banco Master e da não prorrogação da CPI do INSS.


As investigações relacionadas aos casos estão sob análise do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal.


Aliados de Alcolumbre também enfrentam pressão


O clima de tensão também atingiu aliados do presidente do Senado. Um dos nomes mais próximos de Alcolumbre é o senador Weverton Rocha, relator da indicação de Jorge Messias ao STF.


Weverton foi alvo de operação de busca e apreensão ligada à Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades em cobranças sobre benefícios do INSS. Antes da votação, o senador havia garantido ao governo que Messias teria votos suficientes para aprovação.


O cenário, porém, foi diferente. O advogado-geral da União recebeu apenas 34 votos favoráveis — número bem abaixo dos 41 necessários para assumir uma cadeira no Supremo.


Alcolumbre nega envolvimento


Após a repercussão das informações divulgadas nos bastidores políticos, a assessoria de Davi Alcolumbre divulgou nota negando qualquer relação do senador com o Banco Master ou tentativa de pressionar Lula sobre investigações.


Segundo a manifestação oficial, Alcolumbre “não possui qualquer relação com o Banco Master” e “não é investigado, citado ou arrolado em qualquer apuração relacionada ao caso”. A nota também classificou como irresponsáveis as interpretações feitas a partir de rumores de bastidores políticos.



 
 
 

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