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Culpar a Justiça é fácil. Difícil é explicar a candidatura

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 7 horas
  • 1 min de leitura

Quando o presidente do PSD de Itatiaia diz que a Justiça Eleitoral está “criminalizando candidata laranja”, ele inverte a lógica dos fatos. Não é a Justiça que cria o problema. O problema nasce quando há indícios de que uma candidatura existiu só no papel.


Vamos falar claro.


“Laranja” não é um adjetivo inventado pela imprensa nem uma maldade do Judiciário. É a figura usada para encobrir interesses de terceiros. É o nome que aparece na urna, mas que não representa campanha real, voto real, estrutura real. Serve para preencher requisito legal, maquiar número, cumprir formalidade.


Se há investigação, é porque há suspeita. E suspeita não surge do nada.


A lei exige candidaturas femininas não como enfeite, mas como instrumento de equilíbrio democrático. Transformar isso em teatro eleitoral é desrespeitar as próprias mulheres que disputam voto de verdade. Pior ainda é tentar transformar eventual fraude em perseguição política.


Se a candidata é inocente, que se demonstre com fatos: campanha ativa, movimentação financeira compatível, atos públicos, material de divulgação, pedido real de voto. Simples assim.


Agora, se alguém a utilizou como peça num tabuleiro partidário, então a pergunta não é se há criminalização. A pergunta é: quem arquitetou?


Há dirigentes que vivem como se a estrutura partidária fosse território sem fiscalização. Como se a lei fosse detalhe. Como se sempre houvesse um escudo político disponível. Mas a Justiça Eleitoral não existe para aplaudir dirigentes. Existe para garantir que o jogo seja minimamente limpo.


Gritar contra a investigação pode render manchete. O que não rende é prova.


No fim das contas, não é sobre narrativa. É sobre responsabilidade.


E responsabilidade, quando chega, não pede licença.



 
 
 

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