Câmara de Barra Mansa gasta R$ 1,6 milhão em contratos sob Paulo Sandro e amplia desconfiança sobre gestão dos recursos
- Marcus Modesto
- 28 de jan.
- 2 min de leitura
Sob a presidência do vereador Paulo Sandro, a Câmara Municipal de Barra Mansa empenhou R$ 1.629.197,72 em contratos administrativos que, longe de transmitirem segurança e transparência, aprofundam a sensação de descontrole, fragilidade de critérios e baixa fiscalização do dinheiro público.
A análise dos registros oficiais do próprio Legislativo revela um padrão preocupante: contratos pulverizados, valores fracionados e a presença recorrente de empresas com objetos sociais genéricos, capazes de “prestar” desde serviços administrativos e comunicação até atividades típicas da construção civil. Esse modelo, embora formalmente permitido, abre espaço para escolhas convenientes, reduz a concorrência e dificulta qualquer controle efetivo da execução dos serviços.
Não se trata de detalhe técnico. Trata-se de gestão política do orçamento da Câmara, conduzida sob a responsabilidade direta da presidência da Casa. É Paulo Sandro quem autoriza, chancela e responde politicamente por essas decisões. Quando o Legislativo — que deveria fiscalizar o Executivo — passa a reproduzir práticas questionáveis, o resultado é a erosão da credibilidade institucional.
Chama atenção a repetição de contratos abaixo de limites que exigiriam licitação mais ampla. A insistência nesse formato não parece casual. Ao contrário, indica um desenho administrativo confortável para quem contrata e desfavorável ao interesse público, afastando a disputa real de preços e a busca pela melhor proposta.
Ainda mais grave é a natureza de partqe dos serviços contratados: comunicação, eventos, locações e apoio administrativo — áreas tradicionalmente opacas, de difícil aferição e historicamente associadas a desperdício de recursos. Sem relatórios públicos detalhados, sem comprovação objetiva de entrega e sem fiscalização visível, o que sobra é a pergunta inevitável: o que, de fato, foi entregue em troca de mais de R$ 1,6 milhão?
A presidência da Câmara não pode se esconder atrás da legalidade formal dos contratos. Legal não é sinônimo de legítimo. A população de Barra Mansa não espera apenas que os gastos estejam publicados no sistema, mas que sejam justificados, necessários, econômicos e transparentes.
Ao manter silêncio diante de questionamentos óbvios, a gestão de Paulo Sandro opta por tratar a Câmara como um fim em si mesma, e não como uma instituição a serviço do cidadão. Esse comportamento aprofunda a desconfiança popular e reforça a percepção de que o dinheiro público segue sendo administrado com baixa sensibilidade social e alto grau de complacência interna.
Diante dos números apresentados, cabe uma cobrança direta:
quem fiscaliza os contratos da Câmara, quais critérios técnicos orientaram essas escolhas e por que a presidência não presta contas de forma clara à sociedade?
Enquanto essas respostas não forem dadas, os R$ 1,6 milhão gastos pelo Legislativo municipal permanecerão como símbolo de uma gestão que prefere o conforto administrativo à transparência plena..






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