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Da condenação ao microfone: a curiosa entrevista entre Júlio Esteves e Rodrigo Drable

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 10 minutos
  • 3 min de leitura

Marcus Modesto


A política de Barra Mansa tem dessas coisas que nem o melhor roteirista de comédia conseguiria imaginar.


Júlio Esteves e Rodrigo Drable, dois personagens que já estiveram em lados bastante distintos da política barra-mansense, agora vão dividir o mesmo espaço — não em uma disputa eleitoral, não em uma troca de acusações, mas diante de câmeras e microfones, no podcast “Tá no Palanque”.


E aqui está a ironia que chama a atenção.


Júlio Esteves foi condenado pela Justiça no processo envolvendo a então vice-prefeita Fátima Lima, companheira de chapa de Rodrigo Drable. A condenação ocorreu por injúria racial em razão de publicações feitas por Júlio nas redes sociais durante o período eleitoral de 2020. A sentença tornou-se um dos capítulos mais pesados da longa disputa política entre os grupos.


O caso chegou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, onde o recurso defensivo teve provimento apenas parcial para reduzir o valor da indenização por dano moral, mantendo-se a condenação.


E agora vem a cena que parece saída de uma novela política.


O homem que durante anos esteve em rota de colisão com o grupo de Rodrigo Drable aparece agora como apresentador, enquanto o próprio Drable surge como convidado de estreia.


É o tipo de situação que faz o eleitor perguntar:


“Mas não eram eles que brigavam?”


E a resposta da política talvez seja:


“E daí?”


Porque a política tem uma capacidade extraordinária de reciclar relações.


O adversário de ontem pode virar aliado amanhã.


O crítico pode virar entrevistador.


O entrevistado pode virar parceiro de conversa.


E aquela velha história que parecia impossível de esquecer pode, de repente, ficar convenientemente guardada em alguma gaveta da memória política.


O nome do programa não poderia ser mais apropriado: “Tá no Palanque”.


Porque palanque é justamente esse lugar onde tudo pode mudar de uma eleição para outra.


Quem estava de um lado pode atravessar para o outro.


Quem atacava pode conversar.


Quem era atacado pode sentar, sorrir, ajustar o microfone e responder tranquilamente às perguntas.


E o eleitor?


Bem, o eleitor fica olhando.


E lembrando.


A cena de Júlio Esteves entrevistando Rodrigo Drable certamente desperta curiosidade porque os dois possuem um histórico político que está muito longe de ser marcado pela cordialidade.


Júlio foi um crítico conhecido de Drable e chegou a protagonizar embates públicos com o então prefeito. O episódio envolvendo Fátima Lima levou a uma condenação judicial e deixou marcas profundas nessa relação política.


Agora, entretanto, tudo parece estar sob uma nova iluminação.


Literalmente.


Câmeras ligadas.


Microfone aberto.


Convidado sentado.


Apresentador preparado.


E a velha política, mais uma vez, mostrando que nada é tão definitivo quanto parece quando o próximo palanque ainda não foi montado.


Talvez a pergunta mais interessante da noite nem seja o que Rodrigo Drable vai responder.


É o que Júlio Esteves vai perguntar.


E, principalmente, o que os dois vão decidir lembrar.


Porque Barra Mansa tem memória.


A internet tem memória.


Os processos têm memória.


E o eleitor também.


No fim das contas, talvez esse seja o episódio mais curioso do “Tá no Palanque”: não apenas um político entrevistando outro, mas dois personagens com uma história de conflitos sentados frente a frente, diante das câmeras.


A política realmente é capaz de produzir encontros improváveis.


E, em Barra Mansa, pelo visto, até antigas trincheiras podem virar estúdio de podcast.


Da guerra política ao microfone: haja roteiro para explicar essa história.




 
 
 

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