Danúbia Rangel é presa após dar à luz e faz apelo nas redes: “Só quero estar com minhas filhas”
- Marcus Modesto
- 8 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Danúbia Rangel, ex-companheira do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, foi presa nesta segunda-feira (7) na maternidade onde acabara de dar à luz, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Foragida da Justiça, ela teve a prisão decretada em um processo por lavagem de dinheiro, no qual já havia sido condenada. Durante audiência de custódia na parte da tarde, a Justiça decidiu manter a prisão.
Horas depois, ela publicou um vídeo nas redes sociais, num apelo emocionado para permanecer em casa com a filha recém-nascida, diagnosticada com uma síndrome rara, ainda não revelada publicamente. “É uma filha especial. Precisa de exames e cuidados. E agora vamos voltar pra cadeia”, lamentou, em tom de desabafo.
Segundo Danúbia, o processo que gerou o mandado de prisão remonta a 2016 e, segundo ela, parte da pena já teria sido cumprida. “Eu fui à audiência, cumpri parte da pena. O processo estava parado. Agora a juíza decretou minha prisão novamente”, alegou. Ela também afirmou que sabia da ordem de prisão há cerca de 20 dias, mas decidiu não se entregar antes do parto por temer complicações. “Minha filha estava na posição pélvica. A única forma de garantir nossa segurança era por cesariana, em hospital. Escolhi pela vida dela e pela minha.”
A ex-primeira-dama do tráfico da Rocinha, como ficou conhecida, diz estar sendo tratada com injustiça. “Nunca lavei dinheiro de tráfico nenhum. Só peço ajuda como mãe. Tem tanta gente que faz coisa pior e não acontece nada”, disse no vídeo.
O caso reacende debates sobre o sistema penal brasileiro e a ausência de políticas específicas para gestantes e mães em situação de prisão. Apesar da gravidade das acusações, Danúbia não foi presa em flagrante, nem representa risco iminente à sociedade — e sua prisão ocorreu em uma maternidade, no momento em que deveria prevalecer o cuidado com a saúde da mãe e do bebê.
A lei brasileira prevê a possibilidade de prisão domiciliar para mulheres grávidas ou com filhos pequenos, desde que não estejam envolvidas em crimes com violência ou ameaça. No entanto, a aplicação dessas garantias ainda depende da interpretação do Judiciário, que, nesse caso, optou pela detenção imediata.
Enquanto Danúbia volta à cadeia, o debate sobre maternidade e justiça criminal continua engavetado. Seu vídeo não é apenas um apelo pessoal — é o retrato de um sistema que segue ignorando o impacto social de prender mães de recém-nascidos sem ponderar alternativas. Justiça sem humanidade se torna punição desproporcional. E isso deveria nos preocupar.




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