Desembargadora que conduz operação anticorrupção em Santa Catarina recebe reforço na segurança após suspeita de ameaça
- Marcus Modesto
- 13 de jun.
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A desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer, responsável pela relatoria da Operação Mensageiro no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), passou a contar com medidas especiais de proteção após o surgimento de informações sobre uma possível ameaça à sua integridade física. O caso está sendo investigado sob sigilo pelas áreas de inteligência do Judiciário catarinense.
A apuração teve início após a Operação DNA do Crime, deflagrada no começo de junho para investigar um grupo suspeito de envolvimento em práticas ilícitas relacionadas a contratos públicos e enriquecimento incompatível com a renda declarada.
Durante o andamento das investigações, autoridades receberam informações de que um dos investigados teria mencionado, dentro do sistema prisional, a existência de um suposto plano direcionado à magistrada. A partir desse relato, o Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do Tribunal de Justiça abriu um procedimento para verificar a procedência das informações.
Entre os elementos analisados está a hipótese de monitoramento da rotina da desembargadora, incluindo deslocamentos e compromissos profissionais. Os investigadores trabalham para identificar possíveis envolvidos e esclarecer se houve, de fato, planejamento de alguma ação criminosa.
As informações obtidas até agora também levaram à reavaliação de um acidente automobilístico ocorrido em março de 2023, quando a magistrada viajava em um veículo oficial do tribunal pela BR-101, na região de Itajaí. Na ocasião, ela e o motorista sofreram apenas ferimentos leves, e o episódio foi tratado como um acidente de trânsito sem indícios de crime. Até o momento, não há qualquer confirmação de ligação entre aquele fato e a investigação atual.
Em nota, o Tribunal de Justiça confirmou a existência do procedimento interno, mas informou que não divulgará detalhes para preservar o sigilo das investigações. A Corte também confirmou a adoção de medidas preventivas voltadas à segurança da magistrada.
O caso ganha relevância pelo papel desempenhado por Cinthia Schaefer na Operação Mensageiro, uma das maiores ações de combate à corrupção já realizadas em Santa Catarina. Iniciada em 2022, a investigação apura supostas irregularidades em contratos de coleta de lixo e serviços de limpeza urbana envolvendo diversas administrações municipais.
Ao longo das diferentes fases da operação, foram cumpridos dezenas de mandados judiciais, incluindo prisões preventivas de prefeitos, empresários e agentes públicos. As investigações provocaram forte repercussão política no estado e seguem em tramitação na Justiça.
Enquanto a apuração sobre a suposta ameaça avança de forma reservada, as autoridades buscam confirmar a veracidade das informações recebidas e determinar se houve tentativa de intimidação contra a magistrada responsável por conduzir um dos processos mais sensíveis do cenário político catarinense.




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