Desvio milionário nas contas de Barra Mansa segue sem explicação
- Marcus Modesto
- 6 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Silêncio de Rodrigo Drable e omissão da Câmara levantam suspeitas
Três meses após a instauração da Comissão de Sindicância Investigativa pela Secretaria Municipal de Finanças de Barra Mansa, o caso envolvendo um possível rombo de R$ 1,8 milhão nas contas públicas permanece sem respostas concretas — e, principalmente, sem qualquer manifestação do ex-prefeito Rodrigo Drable, cuja gestão é o foco do período analisado.
A apuração foi determinada em 4 de abril de 2025, por meio da Portaria nº 021/2025, publicada no Boletim Oficial nº 1465. O documento oficializou a abertura de sindicância com base no Relatório de Impacto Orçamentário nº 004/2024, que apontou um déficit mensal de R$ 152 mil na folha de pagamento da Secretaria, totalizando um prejuízo anual que ultrapassa R$ 1,8 milhão aos cofres do município.
Segundo o relatório, a média mensal da folha bruta era de R$ 223.719,00, mas os dados efetivos revelaram gastos mensais de apenas R$ 71.409,28 — gerando a diferença que acendeu o alerta dentro da pasta. A comissão designada para a apuração é formada pelos servidores Daniel Pereira Resende, Juliana Fajardo Chiesse e Solon Alexandre Veiga Maat, e teve prazo inicial de 30 dias para conclusão do parecer, com possibilidade de prorrogação.
Hoje, 6 de julho de 2025, a sociedade de Barra Mansa ainda aguarda esclarecimentos sobre os valores desaparecidos e, principalmente, sobre os responsáveis por tamanha discrepância nos dados públicos.
Apesar de a sindicância estar restrita à Secretaria de Finanças, o período examinado coincide com os últimos anos da gestão de Rodrigo Drable, encerrada em 2024. O silêncio do ex-prefeito e de ex-integrantes de seu governo, diante de números tão graves, causa estranheza e preocupação. Até o momento, nenhuma nota pública foi emitida por sua defesa ou seus antigos auxiliares.
Também chama atenção o comportamento da Câmara Municipal, que até agora se mantém omissa e distante da sua função constitucional de fiscalizar os atos do Executivo. Diante de um desvio milionário e de uma sindicância oficial em curso, nenhum requerimento, nenhuma audiência pública ou convocação foi proposta pelos vereadores, que parecem mais interessados em blindar figuras políticas do que em prestar contas à população que os elegeu.
Especialistas consultados pela reportagem afirmam que, em casos com indícios tão claros de irregularidades, o ideal seria a abertura de uma auditoria externa independente, com atuação do Ministério Público e dos órgãos de controle, como o TCE-RJ.
O povo de Barra Mansa merece respostas. E, diante do que foi apontado, a omissão de quem governou a cidade por oito anos e a conivência de um Legislativo silencioso não podem ser tratadas como estratégia política — são afrontas diretas à transparência, à justiça e ao interesse público. A investigação não pode ser abafada nem ignorada — e os responsáveis, se confirmadas as irregularidades, devem responder judicial e administrativamente pelos danos causados.




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