EDITORIAL | Barra Mansa diante da violência: até quando a cidade vai permanecer em silêncio?
- Marcus Modesto
- há 19 minutos
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Marcus Modesto
Barra Mansa está diante de um problema que não pode mais ser tratado como uma estatística distante ou como assunto exclusivo das polícias. A violência atingiu um nível que exige uma reação coletiva — da Prefeitura, da Câmara Municipal, das entidades empresariais, clubes de serviço, associações de moradores, sindicatos, igrejas e, principalmente, da própria sociedade.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Segundo levantamento baseado em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), Barra Mansa registrou 63 homicídios dolosos em 2025, contra 60 no ano anterior. Já o Anuário Brasileiro de Segurança Pública colocou o município entre as cidades fluminenses com mais de 100 mil habitantes com maiores taxas de mortes violentas intencionais: 37,4 mortes por 100 mil habitantes, a segunda maior taxa do estado nesse recorte.
Diante desse cenário, fica uma pergunta incômoda: onde está a reação da sociedade de Barra Mansa?
É preciso cobrar o poder público, mas também é necessário cobrar quem representa a sociedade organizada. Não é razoável que uma cidade enfrente um quadro tão grave de insegurança e que a discussão pública permaneça, muitas vezes, restrita a momentos posteriores a uma tragédia.
A Prefeitura precisa ser cobrada por políticas permanentes de prevenção, iluminação pública, ordenamento urbano, apoio à Guarda Municipal, recuperação de espaços públicos, ações para juventude e integração efetiva com as forças estaduais de segurança. Segurança pública é atribuição constitucional do Estado, mas o município também possui responsabilidades e instrumentos que podem ajudar a prevenir a criminalidade.
E a Câmara Municipal? Também precisa sair da zona de conforto.
Vereador não é apenas alguém que apresenta indicação, inaugura obra ou participa de solenidade. O Legislativo tem a obrigação de fiscalizar, convocar responsáveis, promover audiências públicas, cobrar resultados, acompanhar os indicadores criminais e transformar a segurança em uma pauta permanente.
Não se trata de colocar toda a responsabilidade sobre os vereadores. Trata-se de lembrar que fiscalizar o Executivo é uma das funções essenciais do Legislativo.
Também é hora de perguntar onde estão as entidades que historicamente tiveram papel importante na vida de Barra Mansa. Onde estão as associações comerciais, clubes de serviço, entidades de classe, associações de moradores, lideranças comunitárias e demais organizações que têm capacidade de mobilização?
Uma sociedade organizada não pode aparecer somente para discutir benefícios, eventos, homenagens ou interesses corporativos. Quando a população está com medo de sair de casa, quando famílias convivem com a violência e quando os indicadores de mortes violentas colocam o município em posição preocupante, essas instituições precisam assumir uma posição pública.
É preciso promover fóruns permanentes de segurança, reunir autoridades, empresários, moradores e especialistas e estabelecer metas. É preciso cobrar respostas e acompanhar os resultados.
Barra Mansa não precisa de uma sociedade anestesiada. Precisa de uma sociedade vigilante, participativa e inconformada.
E reação não significa fazer justiça com as próprias mãos, muito menos transformar a cidade em um ambiente de confronto. Significa participar, denunciar, cobrar, fiscalizar e pressionar democraticamente as autoridades para que políticas de segurança e prevenção sejam tratadas como prioridade.
Há iniciativas que mostram que a mobilização pode produzir resultados. A própria Prefeitura já divulgou reduções em determinados indicadores após a implantação do programa Bairro Presente e, mais recentemente, anunciou a estruturação de uma companhia da Polícia Militar dedicada ao município, com previsão de reforço de efetivo e viaturas.
Mas nenhuma medida isolada será suficiente se a sociedade simplesmente assistir de longe.
Barra Mansa precisa voltar a discutir segurança nas ruas, nas entidades, nas escolas, nas associações, no comércio e dentro da Câmara Municipal.
A cidade não pode se acostumar com a violência. Não pode transformar assassinatos em números que aparecem no noticiário e desaparecem no dia seguinte.
A cobrança precisa ser permanente.
À Prefeitura, mais ação e transparência.
À Câmara, mais fiscalização e menos silêncio.
Às entidades organizadas, mais participação.
À população, mais mobilização.
E às forças de segurança, estrutura, integração e condições para trabalhar.
Porque uma cidade segura não é construída apenas pela polícia. É construída quando o poder público e a sociedade decidem, juntos, que a violência não será aceita como parte da rotina.
Barra Mansa precisa reagir.




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