Editorial | Furlani, o governador e o PL: o projeto do abandono
- Marcus Modesto
- 10 de jan.
- 2 min de leitura
Por Marcus Modesto
Barra Mansa não vive uma crise isolada — vive o reflexo de um projeto político que, no estado do Rio de Janeiro e no município, escolheu atacar o interesse público e sufocar a cidade. O prefeito Luiz Furlani e o governador — ambos filiados ao PL — não apenas falham individualmente. Eles compartilham e implementam uma mesma prática política que desorganiza serviços, destrói direitos e impõe sofrimento à população.
A política pública do PL, lá no estado e aqui em Barra Mansa, criou um ambiente de precariedade sistêmica: serviços públicos enfraquecidos, obras superfaturadas e prioridades invertidas. O resultado é uma população que paga impostos altos e recebe em troca transporte público decadente, escolas enfraquecidas e saúde colapsada.
No transporte público, a responsabilidade é compartilhada. O estado do Rio, responsável pelo sistema metropolitano e subsídios, simplesmente abandonou qualquer programa sério de mobilidade. O município, seguindo a mesma inércia, não exige transparência, fere contratos e entrega à população ônibus sucateados e horários que não existem. Trabalhadores chegam tarde ao trabalho, estudantes perdem aulas e quem depende desse serviço vive o prejuízo.
O funcionalismo, fortemente atingido pela política do PL no estado, sente isso nas finanças todos os meses. Atrasos no pagamento de servidores estaduais e municipais tornaram-se regra, corroendo a dignidade de quem trabalha e comprometendo o comércio local. O governo estadual corta repasses, e a Prefeitura — omissa — não se articula para defender a cidade. O resultado é inequívoco: servidor endividado, cidade empobrecida.
A saúde pública é outro campo de destruição. Hospitais e unidades de saúde sem estrutura, sem pessoal, sem equipamentos e sem medicamentos. O que era grave há dois anos tornou-se calamidade. O estado transferiu para os municípios a responsabilidade por serviços que deveria financiar ou coordenar, e aqui em Barra Mansa o resultado é digno de denúncia: falta de médicos em horários de pico, filas intermináveis, exames suspensos e uma população que paga com a própria vida pela incompetência de governos alinhados ao PL.
Na educação, o abandono é ainda mais cruel. Professores desvalorizados, salários atrasados ou defasados, falta de recursos didáticos e prédios escolares deteriorados. A política estadual do PL desfinancia programas essenciais e corta investimentos, enquanto a gestão municipal replica o mesmo padrão de desatenção. O ensino público é tratado como despesa a ser minimizada, e não como investimento no futuro do estado e da cidade.
Não se trata de “problemas pontuais”. Trata-se de um projeto político que escolhe ferrar o serviço público, desestruturar direitos e fragilizar instituições. O governador e o prefeito, ambos do PL, estão traçando um legado de retrocesso: menos transporte digno, menos educação de qualidade, menos saúde estruturada e uma população mais pobre.
Barra Mansa não está sendo administrada. Está sendo governada por uma lógica que sacrifica o presente e hipotecou o futuro. E enquanto a propaganda tenta maquiar essa realidade, a população paga o preço — em tempo, em saúde, em educação e em dignidade.
Foto Arquivo




Comentários