Furlani quer privatizar o SAAE de Barra Mansa
- Marcus Modesto
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Por Marcus Modesto
A criação da ARSAN BM não é um ato isolado. É uma peça dentro de um movimento maior que acende um alerta direto: o risco real de privatização do SAAE.
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Barra Mansa sempre foi um patrimônio público, responsável por um serviço essencial — água e esgoto não são mercadoria qualquer. Mas, com a nova lei sancionada pelo prefeito Luiz Furlani, o cenário começa a mudar de forma preocupante.
A ARSAN BM surge com poderes amplos: regula tarifas, participa de licitações, analisa contratos e, mais grave, pode recomendar intervenção ou até a extinção de concessões. Isso significa que o município agora tem uma estrutura pronta para organizar, justificar e conduzir uma eventual entrega do serviço à iniciativa privada.
Não é teoria. É roteiro.
Em diversas cidades brasileiras, o processo seguiu exatamente esse caminho: primeiro cria-se uma agência reguladora com discurso técnico; depois, constrói-se o ambiente jurídico e administrativo; por fim, o serviço público é concedido à iniciativa privada — quase sempre com promessa de eficiência e investimento.
O problema é o preço disso.
Quando o saneamento passa para mãos privadas, o impacto costuma bater direto no bolso da população. Tarifas mais altas, contratos de longo prazo e pouca margem de revisão popular. E, quando há problemas, a responsabilidade fica diluída entre empresa, agência e governo.
Em Barra Mansa, o silêncio em torno dessa possibilidade é ensurdecedor. Não houve debate amplo, não houve explicação clara, não houve enfrentamento público sobre o futuro do SAAE.
A Câmara aprovou. O prefeito sancionou. E a população ficou à margem de uma decisão que pode redefinir um dos serviços mais básicos da cidade.
Ninguém está dizendo que a privatização já aconteceu. Mas negar o risco, diante da estrutura que foi criada, é fechar os olhos para a realidade.
A pergunta que precisa ser feita — e respondida — é simples:
o SAAE continuará sendo público ou está sendo preparado, aos poucos, para sair das mãos da população?
Porque, quando o assunto é água, não existe decisão neutra. Existe escolha política. E alguém já começou a fazê-la.






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