Eduardo Bolsonaro reage a suspeitas sobre recursos no exterior e crise envolvendo “Dark Horse” aumenta pressão política
- Marcus Modesto
- 15 de mai.
- 2 min de leitura
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro voltou ao centro de uma nova controvérsia após negar suspeitas levantadas pela Polícia Federal sobre o possível uso de recursos ligados ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para custear sua permanência nos Estados Unidos.
Morando no Texas desde fevereiro do ano passado, Eduardo classificou as suspeitas como “toscas” e acusou adversários de promoverem uma tentativa de desgaste político contra sua família. A reação ocorreu após reportagens apontarem que investigadores analisam transferências financeiras destinadas a um fundo sediado no estado americano e ligado a aliados do ex-parlamentar.
Segundo as informações divulgadas, a apuração envolve repasses feitos pela empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como vinculada a Daniel Vorcaro. A mesma estrutura financeira citada na investigação também aparece relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A situação ampliou a repercussão política em torno do longa-metragem, que já vinha acumulando denúncias trabalhistas, questionamentos sobre a origem dos investimentos e suspeitas envolvendo fundos internacionais utilizados na produção.
Eduardo Bolsonaro afirmou que sua situação migratória nos Estados Unidos impediria qualquer recebimento irregular de recursos, mas não detalhou qual era sua condição legal no período investigado. O ex-deputado perdeu o passaporte diplomático após a cassação de seu mandato e, segundo reportagens anteriores, estaria em processo de obtenção do green card.
Durante entrevista à GloboNews, o senador Flávio Bolsonaro confirmou que recursos ligados ao filme passaram pelo Havengate Development Fund, fundo registrado no Texas e representado pelo advogado Paulo Calixto. Apesar disso, negou que os valores tenham sido usados para despesas pessoais do irmão.
Eduardo também declarou que não possui função de gestão no fundo e que apenas cedeu direitos de imagem relacionados ao projeto cinematográfico. Ainda assim, a revelação aumentou os questionamentos sobre a relação entre agentes políticos, investidores privados e estruturas financeiras internacionais utilizadas em projetos ligados ao bolsonarismo.
Nos bastidores políticos e jurídicos, o caso passou a ser observado com atenção porque mistura elementos sensíveis: financiamento internacional, movimentações financeiras sob investigação, fundos privados nos Estados Unidos e um filme claramente associado a um projeto político-eleitoral.
A defesa pública feita por Eduardo Bolsonaro também trouxe um discurso recorrente entre aliados do ex-presidente, ao afirmar que investidores teriam evitado realizar aportes no Brasil por receio de perseguição política e insegurança jurídica. A declaração, porém, intensificou críticas de setores que apontam contradição entre o discurso de patriotismo frequentemente adotado pelo grupo político e a escolha de estruturas financeiras no exterior para movimentação de recursos ligados ao projeto.
Enquanto isso, o filme “Dark Horse” continua cercado por turbulências antes mesmo de chegar ao circuito internacional. O longa, inicialmente apresentado como uma grande aposta de projeção internacional do bolsonarismo, agora enfrenta uma sequência de desgastes que envolve denúncias trabalhistas, suspeitas financeiras e investigações que avançam sobre personagens centrais ligados ao entorno da família Bolsonaro.
Foto Reprodução




Comentários