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EJA gera aumento de renda e melhora empregos de jovens e adultos, aponta estudo

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 10 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Um estudo inédito mostra que a educação de jovens e adultos (EJA) tem efeitos diretos na renda, na ocupação e na formalização no mercado de trabalho. A pesquisa mapeou os impactos econômicos para aqueles que não concluíram os estudos na idade apropriada, mas retornaram à escola em turmas de EJA, abrangendo desde alfabetização até o ensino médio.


O levantamento será lançado nesta quarta-feira (10), durante o Seminário Nacional de Educação de Jovens e Adultos: 1º Ano do Pacto pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA). Encomendado pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Unesco, o estudo busca preencher lacunas na pesquisa sobre o tema e subsidiar políticas públicas para ampliar o acesso à modalidade.


O que é a EJA


A EJA integra a educação básica e permite que jovens e adultos retomem os estudos para concluir o ensino fundamental e médio, em cursos com duração mais curta do que as turmas regulares. Para o ensino fundamental, a idade mínima é 15 anos; para o médio, 18 anos; e para a alfabetização, 15 anos.


Apesar da expansão do acesso à educação formal nas últimas décadas — a taxa de atendimento entre 6 e 14 anos passou de 75,5% em 1991 para 96,7% em 2010 —, a reprovação e a evasão escolar ainda resultam em um grande contingente de jovens e adultos que não concluem a educação básica na idade adequada. Em 2023, 35% dos jovens não haviam terminado o ensino médio até os 20 anos.


Impactos na renda e no mercado de trabalho


O estudo evidencia que a conclusão da EJA traz benefícios econômicos consistentes:

Alfabetização: aumento médio da renda de 16,3% entre 18 e 60 anos, chegando a 23% na faixa de 46 a 60 anos. A probabilidade de ocupar trabalho formal cresce 7,7 pontos percentuais (pp) e de ter emprego de qualidade, 2,3 pp.

Ensino fundamental: renda média aumenta 4,6%, atingindo 14,9% para quem tem entre 26 e 35 anos. A formalidade no trabalho sobe 6,6 pp e a ocupação de qualidade, 3,2 pp.

Ensino médio: elevação de 6% na renda média, chegando a 10% para 26 a 35 anos. A chance de ter emprego formal cresce 9,4 pp e a ocupação de qualidade, 3,3 pp.


Para Fabiana de Felicio, autora do estudo, os resultados reforçam a importância estratégica da EJA no país. “Os ganhos ao longo da vida justificam os custos do retorno aos estudos, especialmente para os grupos mais jovens. Além de melhorar a renda individual, contribuem para a produtividade e a redução da pobreza e desigualdade”, afirma.


Pacto EJA


O Pacto Nacional de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos, lançado pelo MEC em 2024, prevê 3,3 milhões de novas matrículas e a integração da EJA à educação profissional, com investimento de R$ 4 bilhões em quatro anos. Segundo a Pnad Contínua, 9,1 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais ainda não são alfabetizados, o que equivale a 5,3% da população dessa faixa etária.


O estudo reforça que investir na EJA não é apenas uma política educacional, mas uma estratégia econômica e social, capaz de transformar vidas e estimular o desenvolvimento local.

Com informações da Agência Brasil


Foto Giovana Albuquerque


 
 
 

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