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El Niño pode encarecer alimentos e pressionar inflação no Brasil nos próximos meses

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

O avanço do El Niño pode trazer consequências que vão além das mudanças no clima e chegar diretamente ao orçamento das famílias brasileiras. Projeções baseadas em um modelo matemático do Rabobank apontam que os efeitos de possíveis choques climáticos podem provocar aumento significativo nos preços dos alimentos, principalmente dos produtos frescos, como hortaliças, frutas e carnes.


Em uma eventual ocorrência de El Niño forte, os alimentos in natura poderiam registrar alta próxima de 20%, enquanto a alimentação consumida dentro de casa teria aumento estimado em 6,32%. Em um cenário de intensidade moderada, as projeções indicam elevações de 13,4% e 2%, respectivamente.


O fenômeno ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Pacífico e pode modificar o padrão de chuvas e temperaturas em várias partes do mundo. No Brasil, os efeitos são diferentes conforme a região, podendo provocar períodos de seca em áreas produtoras e excesso de chuva em outras.


Entre os alimentos mais sensíveis estão as hortaliças. Como possuem ciclos de produção relativamente curtos, qualquer perda provocada por estiagem, calor intenso ou excesso de chuva pode reduzir rapidamente a oferta nos mercados. Com menos produtos disponíveis, a tendência é de aumento dos preços.


Outros alimentos, como arroz e feijão, podem sofrer uma pressão mais gradual, principalmente devido ao aumento dos custos de produção. Já os produtos industrializados tendem a apresentar uma reação mais moderada, pois seus preços também são influenciados por gastos com processamento, embalagens, transporte e distribuição.


O impacto sobre a inflação também pode ser relevante. Em um cenário de El Niño forte, o estudo estima que os alimentos poderiam acrescentar cerca de 0,83 ponto percentual ao IPCA. Somente os produtos in natura responderiam por aproximadamente 0,53 ponto percentual desse impacto.


A pressão, porém, não deve aparecer imediatamente. De acordo com o modelo analisado, o pico dos efeitos sobre os preços pode ocorrer cerca de seis meses após os principais choques climáticos. Isso ocorre porque alterações nas lavouras precisam percorrer toda a cadeia de produção até chegar aos supermercados.


O impacto também poderá variar de acordo com a região do país. Grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém aparecem entre as áreas que podem sentir mais rapidamente os efeitos sobre os preços. Diferenças na produção agrícola e nos hábitos de consumo ajudam a explicar essa variação.


Diversas culturas entram no radar de preocupação dos especialistas, entre elas café, milho, arroz, trigo, frutas, laranja e cana-de-açúcar. A produção de leite e a pecuária também podem ser afetadas, especialmente se a redução das chuvas comprometer pastagens e a disponibilidade de água em determinadas áreas.


Apesar dos riscos, o El Niño não representa necessariamente prejuízo para todas as regiões e culturas. Algumas áreas podem registrar condições favoráveis para determinadas atividades agrícolas, dependendo da combinação entre chuva, temperatura e período de cultivo.


O principal alerta, portanto, está na possibilidade de uma sequência de problemas climáticos reduzir a oferta de determinados produtos e elevar os custos ao longo da cadeia. Se as previsões de um El Niño forte se confirmarem, o consumidor poderá sentir os efeitos no supermercado, na feira e no orçamento doméstico ao longo dos próximos meses.



 
 
 

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