OPINIÃO | “O adesivo que denuncia o dono do carro”
- Marcus Modesto
- há 3 horas
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Marcus Modesto
Tem certas coisas na vida que a gente olha e pensa: “Não é possível que essa pessoa esteja fazendo isso de livre e espontânea vontade”.
Uma delas é carro circulando pela cidade com plástico de candidato a deputado estadual colado no vidro.
E não é qualquer candidato, não. É plástico do Rodrigo Drable.
Aí começa a brincadeira. O sujeito passa pela rua todo orgulhoso, com o carro enfeitado, e o cidadão do outro lado da calçada já começa a fazer conta: “Será que é eleitor mesmo ou será que tem uma boquinha na Prefeitura?”
Porque, convenhamos, ninguém cola plástico de graça. Pelo menos é o que dizem os especialistas em política de esquina, os filósofos do ponto de ônibus e aquele pessoal que sabe de tudo que acontece na repartição pública antes mesmo de sair no Diário Oficial.
O carro passa e a imaginação vai longe.
“Será que é comissionado?”
“Será que ganhou uma função?”
“Será que tem parente empregado?”
“Será que está esperando uma nomeação?”
“Ou será que simplesmente gosta muito do candidato?”
Essa última hipótese, confesso, é a mais difícil de acreditar. Mas democracia é isso: temos que respeitar todas as possibilidades.
Agora, uma coisa é certa: se o cidadão tem orgulho do candidato, parabéns. É direito dele. Pode colocar plástico no carro, adesivo no vidro, bandeirinha no retrovisor e até sair buzinando pela cidade, se quiser.
O problema é quando o adesivo vira uma espécie de crachá ambulante.
Aí o carro deixa de ser apenas um carro e passa a ser um mistério sobre quatro rodas.
E tem coisa pior: imagine o sujeito estacionando em frente à Prefeitura. Desce do carro, ajeita a camisa, olha para o plástico do Rodrigo Durado e pensa:
“Será que hoje sai a boquinha?”
Enquanto isso, quem está desempregado olha para a cena e pensa:
“Rapaz, eu queria mesmo era um emprego. O plástico eu dispensava.”
No fundo, a política brasileira é uma coisa curiosa. Tem gente que coloca candidato no carro. Tem gente que coloca candidato na janela. E tem gente que, se pudesse, colocava o candidato até no porta-malas — desde que viesse junto um cargo comissionado.
Mas fica a pergunta, em tom de brincadeira, porque ninguém aqui quer cometer a injustiça de acusar quem quer que seja sem prova:
Quem anda por aí fazendo propaganda do Rodrigo Drable está fazendo campanha porque acredita nele ou porque acredita que o Diário Oficial pode sorrir para ele amanhã?
Essa é a verdadeira pergunta que fica rodando pela cidade — junto com os carros adesivados.
E, pelo jeito, tem motorista que está acelerando forte atrás de uma resposta.
Foto Reprodução




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