Eleições de 2026: influência de outros países preocupa parte dos brasileiros, aponta Datafolha
- Marcus Modesto
- há 1 hora
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A disputa presidencial de 2026 começa a ser acompanhada também por um debate que ultrapassa as fronteiras brasileiras. Levantamento do Datafolha mostra que a possibilidade de participação ou influência de governos estrangeiros no processo eleitoral é vista de maneiras diferentes pela população, em um cenário marcado por recentes conflitos diplomáticos.
Segundo a pesquisa, 32% dos brasileiros acreditam que uma eventual interferência de outros países nas eleições seria algo negativo. Outros 18% admitem a possibilidade, mas não consideram que isso necessariamente representaria um problema. Somados, os dois grupos correspondem à metade dos entrevistados.
Na outra ponta, 43% não veem possibilidade de interferência estrangeira no pleito. O levantamento ainda registrou 8% de entrevistados que não souberam responder ou preferiram não opinar.
Opiniões acompanham a polarização eleitoral
A percepção sobre o assunto muda de acordo com a preferência eleitoral. Entre os eleitores de Lula, 36% dizem enxergar risco de interferência e consideram a situação problemática. Já 46% não acreditam nessa possibilidade.
No eleitorado de Flávio Bolsonaro, 24% veem a possibilidade de interferência como um problema. Outros 39% descartam que países estrangeiros possam interferir na eleição, enquanto 32% afirmam que não considerariam problemática uma eventual atuação externa.
Os números revelam que a questão internacional também passou a fazer parte da divisão política entre os grupos que apoiam os principais nomes da corrida presidencial.
Relações com EUA e Argentina pesam sobre percepção
O levantamento foi realizado em meio a uma sequência de episódios que elevaram a temperatura das relações do Brasil com governos estrangeiros.
As medidas comerciais adotadas pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros, além das discussões envolvendo possíveis sanções ao ministro Alexandre de Moraes, aumentaram as divergências entre Brasília e Washington.
Na Argentina, o presidente Javier Milei também adotou um discurso crítico em relação ao governo brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal. A presença do argentino em uma convenção do PL no Brasil, que confirmou Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, acrescentou um componente internacional ao cenário eleitoral.
As relações entre Brasil e Estados Unidos voltaram a ocupar o centro das atenções na sexta-feira (21), quando Lula e Trump conversaram por telefone. O presidente brasileiro contestou as razões utilizadas pelo governo americano para justificar o aumento das tarifas sobre mercadorias brasileiras.
Levantamento foi feito antes da campanha eleitoral ganhar força
O Datafolha ouviu 2.058 eleitores entre 18 e 20 de agosto, por meio de entrevistas presenciais realizadas em diferentes regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Contratada pela Folha e pela Globo, a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral. Os resultados representam a percepção dos eleitores no período em que foram entrevistados e não devem ser interpretados como uma projeção do resultado das eleições.
O levantamento mostra, sobretudo, que a possibilidade de influência internacional já entrou no radar de uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro e pode se transformar em mais um tema relevante na campanha presidencial de 2026.

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