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Em Barra Mansa, até ler um livro parece levantar suspeita

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

O que deveria ser uma cena absolutamente comum — um cidadão sentado em uma praça, em plena luz do dia, lendo um livro — acabou se transformando em uma abordagem policial que levanta questionamentos sobre os critérios utilizados pelas forças de segurança em Barra Mansa.

Vitor, de 33 anos, morador de Resende, estava tranquilamente na Praça do Jardim das Preguiças quando foi abordado por policiais do programa Segurança Presente. Segundo o relato, os agentes perguntaram se ele estava com drogas.

A pergunta, por si só, já provoca uma reflexão incômoda: o que havia de suspeito em


uma pessoa sentada numa praça simplesmente lendo um livro?


É evidente que a Polícia Militar tem o dever de realizar abordagens quando existem elementos concretos que indiquem uma possível situação de crime. Segurança pública exige prevenção e fiscalização. O problema começa quando o cidadão passa a ser tratado como suspeito simplesmente por estar em determinado lugar ou apresentar determinado comportamento.

E há uma contradição que merece ser discutida.

Enquanto um homem sentado lendo é submetido a uma abordagem, muitos moradores reclamam diariamente de problemas relacionados à criminalidade, ao tráfico de drogas, às motocicletas circulando de maneira irregular e a outros episódios que provocam sensação de insegurança.

Que mensagem a cidade está passando?


Barra Mansa precisa, sim, de policiamento. Precisa de policiais nas ruas. Precisa de investigação, inteligência e combate firme ao crime. Mas segurança pública não pode significar transformar o cidadão comum em alvo permanente de suspeita.

Uma pessoa lendo um livro deveria representar exatamente o contrário: uma cidade onde existe espaço para cultura, educação, convivência e tranquilidade.

O episódio envolvendo Vitor merece ser esclarecido. Qual foi o motivo concreto da abordagem? Havia alguma denúncia ou característica específica que justificasse a ação? Qual foi o procedimento adotado depois da verificação?

Essas perguntas precisam ser respondidas.

Porque, se a abordagem ocorreu simplesmente porque um cidadão estava sentado lendo, temos um problema que vai muito além daquele episódio.

Uma cidade segura não é aquela onde todo cidadão é tratado como suspeito. É aquela onde o criminoso é identificado e combatido, enquanto o cidadão de bem pode sentar numa praça, abrir um livro e simplesmente ler em paz.

Barra Mansa precisa discutir que tipo de segurança pública quer construir. E essa discussão também passa pelo respeito às pessoas, à cultura e ao direito de ocupar os espaços públicos sem medo de ser confundido com criminoso.

Foto Marcus Modesto


 
 
 

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