Fórum reúne artistas e reacende debate: afinal, para que serve o Conselho Municipal de Cultura de Barra Mansa?
- Marcus Modesto
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A realização do Fórum Municipal de Cultura de Barra Mansa, neste sábado (29), reuniu centenas de pessoas no auditório do CEI Saturnina de Carvalho e Vieira da Silva, no Centro, e demonstrou uma realidade que muitas vezes passa despercebida pelo poder público: existe uma classe cultural ativa, organizada e interessada em participar das decisões sobre os rumos da cidade.
Mas, depois das eleições dos novos representantes e dos discursos sobre participação popular, uma pergunta precisa ser feita: qual será, na prática, a função do Conselho Municipal de Cultura de Barra Mansa?
O Conselho não pode existir apenas para cumprir uma exigência burocrática, realizar reuniões periódicas ou servir como espaço para homologar decisões que já foram tomadas pelo governo. Sua principal função deve ser representar os artistas, produtores culturais e os diferentes segmentos da sociedade, participando da formulação, fiscalização e acompanhamento das políticas públicas destinadas à cultura.
A eleição dos 14 representantes da sociedade civil é importante. Mas a representatividade, por si só, não resolve os problemas históricos do setor cultural. É necessário saber se esses conselheiros terão voz real nas decisões, se poderão cobrar investimentos, discutir prioridades e fiscalizar a aplicação dos recursos destinados à cultura.
Barra Mansa possui músicos, artistas plásticos, grupos de dança, atores, produtores, artesãos e profissionais de diversas manifestações culturais. O desafio é transformar essa enorme riqueza artística em uma política pública permanente, que não dependa exclusivamente de eventos pontuais ou de calendários definidos pelo governo de ocasião.
A cultura não pode ser lembrada somente em períodos de grandes festas, apresentações ou inaugurações. É preciso discutir formação artística, espaços culturais, valorização dos artistas locais, editais, transparência na utilização dos recursos e oportunidades para quem vive da produção cultural.
O grande público presente no fórum demonstra que os chamados “fazedores de cultura” querem participar. Agora, cabe à Fundação Cultura e ao Conselho Municipal provar que essa participação terá consequência.
O Fórum terminou, os novos conselheiros foram escolhidos e o calendário de 2027 começou a ser discutido. Mas a verdadeira avaliação começa agora: o Conselho Municipal de Cultura será um instrumento independente de participação e fiscalização ou apenas mais uma estrutura institucional sem força para mudar a realidade da cultura em Barra Mansa?
A resposta dependerá menos dos discursos e mais das decisões que serão tomadas a partir de agora. Porque reunir centenas de pessoas em um auditório é importante. Ouvir essas pessoas e transformar suas reivindicações em políticas públicas é o que realmente dará sentido à existência do Conselho Municipal de Cultura.
Foto Paulo Dimas




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