Entre Almoços Políticos e Elogios Mútuos: O Velho Teatro da Política Fluminense
- Marcus Modesto
- 8 de mai.
- 2 min de leitura
Por Marcus Modesto
A movimentação do ex-governador Cláudio Castro pelo Sul Fluminense revela o retrato mais desgastado da velha política fluminense: alianças construídas na conveniência, troca de elogios públicos e uma tentativa clara de reconstrução eleitoral mesmo diante de graves questionamentos judiciais e administrativos. Enquanto o estado do Rio enfrenta crises históricas na segurança, saúde precária e denúncias constantes envolvendo o poder público, a prioridade parece ser garantir espaço político para 2026.
Em Volta Redonda, prefeitos e lideranças regionais se reuniram em torno de Castro como se o estado tivesse vivido um período de estabilidade e prosperidade. O discurso de agradecimento e exaltação ao ex-governador ignora a realidade enfrentada diariamente pela população fluminense: hospitais lotados, violência crescente, estradas abandonadas e sucessivos escândalos envolvendo figuras centrais da política estadual. O Rio de Janeiro virou um laboratório de sobrevivência política, onde investigações, inelegibilidades e denúncias raramente afastam alguém do jogo eleitoral.
A cena em Barra Mansa seguiu o mesmo roteiro. Obras e inaugurações foram usadas como vitrine política, numa prática antiga do estado: transformar investimentos públicos em moeda eleitoral. O Hospital Municipal de Olhos pode até representar avanço importante para a região, mas é impossível ignorar o uso político dessas agendas, especialmente quando protagonizadas por um ex-governador que luta na Justiça para recuperar seus direitos políticos.
O mais preocupante é observar prefeitos correndo para se associar a nomes envolvidos em controvérsias, repetindo um modelo que há décadas mantém o Rio refém de grupos políticos que alternam cargos, alianças e discursos, mas pouco mudam a realidade da população. A política fluminense parece incapaz de se renovar. Trocam-se os slogans, mas permanecem as mesmas práticas, os mesmos acordos de bastidores e a mesma distância entre o discurso oficial e os problemas reais das ruas.
Enquanto isso, o cidadão continua assistindo ao desfile de autoridades em almoços políticos, inaugurações e encontros estratégicos, enquanto espera por serviços básicos funcionando de verdade. O Rio de Janeiro não precisa de marketing eleitoral antecipado. Precisa de responsabilidade, transparência e políticos menos preocupados com a próxima eleição e mais comprometidos com os problemas que se acumulam há décadas.




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