top of page
Buscar

Entre o discurso e os números: Barra Mansa pode comemorar uma cidade que piorou?

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 2 dias
5 min de leitura

Enquanto Furlani pede votos para Rodrigo Drable e fala em “excelente trabalho”, indicadores de educação, segurança, saúde e finanças públicas colocam a cidade diante de uma pergunta incômoda: afinal, onde estão os resultados?


O atual prefeito de Barra Mansa, Luiz Furlani, decidiu entrar na disputa eleitoral ao lado do ex-prefeito Rodrigo Drable e utilizar as redes sociais para pedir votos para o antecessor. Na mensagem, Furlani apresenta a administração de Drable como exemplo de “excelente trabalho”.


Mas existe uma pergunta que não pode ser respondida apenas com vídeo, postagem ou discurso político: o que dizem os números de Barra Mansa?


É justamente aí que começa o debate que interessa ao cidadão.


Antes de escolher qualquer candidato, o eleitor deveria olhar para os indicadores oficiais, comparar os números ao longo dos anos e observar o que aconteceu com educação, saúde, segurança, emprego, renda, infraestrutura e contas públicas.


E os dados mostram uma cidade que enfrenta problemas importantes.


Educação: o retrocesso aparece na nota


Um dos exemplos mais claros está na educação.


Nos anos finais do ensino fundamental, o Ideb de Barra Mansa caiu de 4,9 para 4,6 no resultado de 2025. A queda de 0,3 ponto representa uma piora no indicador de aprendizagem e fluxo escolar.


Não é apenas uma nota em uma tabela.


É um indicador que deveria provocar uma discussão séria sobre alfabetização, aprendizagem, desempenho dos estudantes, estrutura das escolas e políticas educacionais.


Quando o resultado piora, o caminho não deveria ser esconder o problema atrás de propaganda. Deveria ser explicar à população por que caiu e o que será feito para recuperar o desempenho.


Segurança pública: o cidadão quer tranquilidade, não propaganda


Segurança pública também precisa entrar na conta.


Barra Mansa convive com indicadores de criminalidade que exigem atenção e com a percepção de insegurança que faz parte do cotidiano de muitos moradores.


É importante lembrar que a segurança pública é uma responsabilidade compartilhada e que as polícias Civil e Militar são instituições estaduais. Portanto, não seria correto colocar toda a responsabilidade pela criminalidade nas costas do prefeito.


Mas isso não significa que o município esteja isento de responsabilidade.


Iluminação pública, ordenamento urbano, ocupação dos espaços públicos, políticas sociais, prevenção, apoio à Guarda Municipal e articulação com as forças de segurança também fazem parte da administração municipal.


A pergunta, portanto, é simples: o que a Prefeitura fez, de forma mensurável, para melhorar a segurança e a qualidade de vida dos moradores?


Saúde: problemas que não desaparecem com postagem


Na saúde, a situação também exige atenção.


A Santa Casa de Misericórdia de Barra Mansa continua sendo uma estrutura fundamental para o atendimento regional e possui habilitação em alta complexidade oncológica.


Ao mesmo tempo, o município enfrenta discussões envolvendo financiamento, atendimento especializado e a manutenção de serviços de saúde.


Quando uma cidade precisa discutir constantemente falta de recursos, dificuldades de atendimento e sustentabilidade de serviços essenciais, não existe espaço para triunfalismo.


Saúde pública não se mede pela quantidade de inaugurações ou fotografias. Mede-se pelo atendimento que chega ao cidadão.


Economia: localização privilegiada não basta


Barra Mansa possui uma vantagem que poucas cidades do interior têm.


Está próxima da Rodovia Presidente Dutra, integrada ao eixo econômico do Médio Paraíba e inserida em uma região industrial estratégica.


O próprio IBGE registra um PIB per capita de R$ 40.208,10 em 2023.


Mas PIB per capita não significa automaticamente dinheiro no bolso do trabalhador, comércio forte ou qualidade de vida.


Uma cidade pode ter uma economia relevante e, ainda assim, enfrentar dificuldades no comércio, nos serviços públicos e na geração de oportunidades.


É exatamente por isso que o debate precisa ir além de números utilizados convenientemente em discursos oficiais.


Emprego: há resultado positivo, mas isso não encerra a discussão


Há, inclusive, um dado que precisa ser reconhecido para que a análise não seja parcial.


Barra Mansa registrou saldo positivo de 903 empregos formais em 2025, segundo dados do Caged divulgados pelo município, e teve saldo positivo de 186 postos no primeiro trimestre de 2026.


Isso mostra que não seria correto afirmar simplesmente que “tudo piorou” na economia.


Mas também não permite transformar alguns resultados positivos em prova de que a cidade vive um ciclo de prosperidade.


Emprego é apenas uma parte da fotografia.


O cidadão também olha para o comércio, para o preço das coisas, para o movimento das ruas, para a abertura e fechamento de empresas, para investimentos e para a capacidade do município de atrair novos empreendimentos.


E é justamente nesse ponto que Barra Mansa precisa discutir seu futuro econômico.


A cidade perdeu dinamismo?


O centro de Barra Mansa já foi um dos grandes polos comerciais do Sul Fluminense.


Hoje, comerciantes reclamam do movimento, consumidores migram para outros centros e para o comércio eletrônico e a cidade disputa investimentos com municípios vizinhos que também buscam empresas, empregos e arrecadação.


Não seria correto atribuir toda essa transformação à administração municipal. O varejo brasileiro atravessa uma fase difícil, com juros elevados, mudanças no comportamento do consumidor e avanço das vendas pela internet. Em 2026, o comércio nacional acumulou forte redução de empregos formais.


Mas justamente por isso a prefeitura deveria apresentar uma estratégia clara para Barra Mansa.


Qual é o plano para recuperar o centro?


Qual é o plano para atrair empresas?


Qual é o plano para revitalizar áreas comerciais?


Qual é o plano para aumentar a arrecadação sem simplesmente aumentar a pressão sobre quem já está na cidade?


São perguntas que valem mais do que qualquer vídeo eleitoral.


E as contas públicas?


Outro ponto que não pode ser ignorado é a situação financeira do município.


A atual administração decretou situação de calamidade financeira e passou a conviver com discussões envolvendo dívidas, Previdência municipal, fornecedores e capacidade de investimento.


Se a cidade está financeiramente saudável, é preciso mostrar os números.


Se não está, é preciso explicar como chegou a essa situação e quem será responsável por recuperar as contas.


É justamente nesse momento que a ligação política entre o atual prefeito e seu antecessor ganha importância.


Furlani foi secretário da administração de Rodrigo Drable. Agora, como prefeito, aparece publicamente pedindo apoio eleitoral para Drable e classificando sua gestão como excelente.


É legítimo que um prefeito tenha preferência política.


Mas, para o cidadão, existe uma diferença entre apoio político e avaliação administrativa.


Uma coisa é dizer “eu apoio Rodrigo Drable”.


Outra, muito diferente, é afirmar que a administração produziu excelentes resultados.


Essa segunda afirmação precisa ser confrontada com os indicadores.


O eleitor não precisa escolher pela propaganda


As eleições se aproximam e Barra Mansa terá novamente a oportunidade de discutir seu futuro.


Não é necessário acreditar em propaganda de governo.


Também não é necessário acreditar automaticamente em discurso de oposição.


O caminho mais responsável é outro: abrir os números, comparar os períodos e cobrar explicações.


Se a educação caiu, é preciso perguntar por quê.


Se a saúde enfrenta dificuldades, é preciso perguntar por quê.


Se a segurança preocupa, é preciso perguntar quais medidas foram tomadas.


Se as contas públicas estão pressionadas, é preciso perguntar como isso aconteceu.


Se o comércio perdeu força, é preciso perguntar qual política econômica municipal existe para recuperar a atividade.


E se o governo considera que realizou um excelente trabalho, cabe a ele apresentar os resultados.


Barra Mansa não precisa de uma eleição baseada apenas em vídeos, slogans e elogios entre políticos.


Precisa de uma discussão sobre resultados.


Porque, no fim das contas, quem paga a conta é o cidadão.


E, diante da urna, a pergunta mais importante não deveria ser quem aparece melhor nas redes sociais.


Deveria ser:


o que os números mostram sobre a cidade que está sendo entregue aos barra-mansenses?

Foto Arquivo




 
 
 

Comentários


bottom of page