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Entre o passado e as promessas: o desafio de Rodrigo Drable

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 4 de jul.
  • 2 min de leitura

Por Marcus Modesto


Rodrigo Drable quer chegar à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. É um direito legítimo de qualquer cidadão. Mas quem pede o voto da população também precisa aceitar que sua trajetória seja colocada sob a lupa.


Não basta subir ao palanque e falar de futuro quando o passado continua cercado de questionamentos. Drable foi prefeito de Barra Mansa por dois mandatos, comandou uma das maiores estruturas públicas da região e teve sua gestão marcada por investigações, operações policiais e processos judiciais que ganharam repercussão estadual. Em 2020, chegou a ser afastado do cargo durante uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que investigava suspeitas de corrupção e organização criminosa.


Até hoje, Drable responde a uma ação penal no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, na qual o Ministério Público sustenta acusações relacionadas à suposta organização criminosa e corrupção. Cabe destacar que o processo ainda está em andamento e não há condenação definitiva, prevalecendo a presunção de inocência.


Isso não impede, porém, que o eleitor faça uma pergunta simples: é esse o currículo que inspira confiança para ocupar uma cadeira na Alerj?


Quem pretende representar milhões de fluminenses deveria chegar à disputa com uma trajetória capaz de unir a sociedade, e não carregando o peso de investigações e processos que ainda aguardam desfecho na Justiça. A exigência de integridade na vida pública não é perseguição política; é um compromisso básico com a ética e a transparência.


Outro aspecto que chamou atenção foi o lançamento de sua pré-candidatura. As imagens divulgadas mostraram um evento com pouca diversidade aparente entre as pessoas colocadas em evidência. Em uma região cuja população é formada por negros, pardos, brancos e pessoas de diferentes origens, a composição do palco levanta um questionamento legítimo sobre representatividade. Não se trata de uma acusação de discriminação, mas de uma reflexão política: quem pretende representar toda a sociedade precisa demonstrar isso também nos espaços que ocupa.


Também vale lembrar que, recentemente, Rodrigo Drable foi absolvido pela Justiça Eleitoral em uma ação que discutia suposto abuso de poder político nas eleições de 2024. A decisão deve ser respeitada, mas não elimina o direito da sociedade de avaliar criticamente sua trajetória administrativa e política.


A campanha ainda está começando. Os discursos falarão de renovação, compromisso e desenvolvimento. Mas nenhuma promessa é capaz de apagar o histórico de um candidato. O voto consciente exige memória. E memória é justamente aquilo que Rodrigo Drable terá mais dificuldade de enfrentar durante esta campanha.



 
 
 

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