Escândalo do Banco Master explode em Brasília e amplia pressão sobre Flávio Bolsonaro
- Marcus Modesto
- 14 de mai.
- 2 min de leitura
A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master deixou de ser apenas uma polêmica política e passou a se transformar em uma batalha aberta dentro do Congresso Nacional. A divulgação de mensagens e áudios atribuídos ao senador recolocou no centro do debate a pressão pela instalação da CPMI do Banco Master, hoje tratada nos bastidores como uma das investigações mais explosivas do cenário político nacional.
O caso ganhou força após reportagens divulgadas pelo The Intercept Brasil revelarem conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro envolvendo a cobrança de recursos milionários destinados ao filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No áudio divulgado, Flávio chama o banqueiro de “irmão” enquanto pressiona pela liberação de pagamentos ligados ao projeto cinematográfico. A revelação provocou forte repercussão política porque Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, está preso e é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de participação em um esquema bilionário de fraudes financeiras.
O episódio ampliou questionamentos sobre a proximidade entre setores políticos e empresários investigados. Em Brasília, parlamentares passaram a cobrar de forma ainda mais intensa a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito destinada a investigar o Banco Master e suas conexões políticas.
O requerimento da CPMI já possui assinaturas suficientes desde fevereiro, com apoio de deputados e senadores. Pela regra do Congresso, a comissão deveria ser automaticamente instalada após a leitura do pedido em sessão conjunta. Mas até agora isso não aconteceu.
A decisão do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, de não realizar a leitura do requerimento gerou forte reação de parlamentares da oposição e também de setores governistas. Nos corredores do Congresso, cresceu a acusação de que acordos políticos estariam sendo usados para frear o avanço das investigações.
Enquanto aliados de Flávio Bolsonaro tentam minimizar os danos afirmando que os recursos discutidos eram privados, críticos do senador afirmam que o caso expõe contradições graves dentro do discurso moral adotado pelo bolsonarismo nos últimos anos.
Parlamentares de diferentes partidos passaram a elevar o tom contra o que classificam como tentativa de blindagem política. A cobrança pela instalação da CPMI agora reúne grupos com interesses distintos, mas unidos pela pressão para que o caso seja investigado oficialmente.
A crise também atingiu o Supremo Tribunal Federal. Parlamentares acionaram a Corte tentando obrigar o Congresso a instalar a comissão, mas o STF decidiu que a questão deve permanecer sob responsabilidade do Legislativo.
Nos bastidores, a percepção é que o caso pode produzir consequências políticas profundas. O escândalo mistura suspeitas de fraudes bilionárias, financiamento milionário de filme político, disputas internas da direita e uma crescente pressão institucional sobre o Congresso Nacional.
O que começou como uma investigação financeira agora ameaça se tornar uma das maiores crises políticas envolvendo o entorno bolsonarista desde o fim do governo Jair Bolsonaro.




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