Estudo aponta concentração de mortes em operações policiais em áreas sob influência do Comando Vermelho na Baixada Fluminense
- Marcus Modesto
- 24 de jul.
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Um levantamento divulgado nesta sexta-feira (24) pela Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJRacial) aponta que a maior parte das mortes registradas durante operações policiais na Baixada Fluminense, entre 2020 e 2025, ocorreu em localidades identificadas como áreas de influência do Comando Vermelho (CV). A pesquisa analisou a distribuição geográfica das ações das forças de segurança e os impactos dessas operações em 13 municípios da região.
De acordo com o estudo, cinco cidades concentram 75% das mortes ocorridas no período: Duque de Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti, Nova Iguaçu e Japeri. Ao todo, foram contabilizadas 5.298 operações policiais, que resultaram em 282 mortes, 652 pessoas feridas, 5.783 prisões e 41 adolescentes apreendidos.
Duque de Caxias aparece como o município com maior número de vítimas fatais, somando 66 mortes e 160 feridos. Belford Roxo ocupa a segunda posição, com 48 mortos e 127 feridos, seguido por São João de Meriti, onde foram registradas 41 mortes e 77 feridos.
Segundo a pesquisadora Kharine Gil, responsável pela análise dos dados, há uma concentração territorial das operações justamente em áreas onde o estudo identifica maior presença do Comando Vermelho. A pesquisa também aponta que determinadas unidades da Polícia Militar concentram boa parte dessas ações.
O 15º Batalhão da PM, responsável pelo policiamento em Duque de Caxias, liderou o número de operações no período, com 1.289 ações. A unidade também registrou o maior número de mortes (71) e de pessoas feridas (142). Em seguida aparece o 20º BPM, que atua em Nova Iguaçu, Nilópolis e Mesquita, com 1.034 operações, 51 mortes e 156 feridos. Já o 39º BPM, de Belford Roxo, realizou 569 operações, que resultaram em 45 mortes e 120 feridos.
O levantamento também aponta crescimento da participação da Polícia Civil nas operações realizadas na Baixada Fluminense. Enquanto em 2020 foram registradas 47 ações da corporação, esse número subiu para 336 em 2024. Em 2025, até o momento da pesquisa, haviam sido realizadas 66 operações, das quais 12 terminaram com pelo menos uma morte.
Outro dado destacado pelo estudo é a redução gradual do número total de operações ao longo dos últimos anos. Em 2022 foram contabilizadas 1.486 ações, número que caiu para 1.233 em 2023, 1.061 em 2024 e 655 em 2025. Apesar da queda, os pesquisadores afirmam que a letalidade das operações não diminuiu na mesma proporção.
Entre os materiais apreendidos durante as ações policiais, as pistolas representaram 21% dos registros, seguidas pelos rádios comunicadores, com 19,9%. Os fuzis corresponderam a 5,5% das apreensões. Para a entidade responsável pelo estudo, esses dados levantam questionamentos sobre a proporcionalidade da força empregada em parte das operações.
A pesquisa também identificou crescimento das ações voltadas exclusivamente para a retirada de barricadas instaladas por grupos criminosos. Entre 2020 e 2025 foram contabilizadas 257 operações desse tipo, sendo 71 somente neste ano.
Em nota, a Polícia Civil informou que o aumento das operações está relacionado à retomada das atividades após a pandemia da Covid-19 e à criação de novas delegacias especializadas na Baixada Fluminense. A corporação afirmou que as ações têm como foco o cumprimento de mandados judiciais, a prisão de integrantes de organizações criminosas e a proteção da população, ressaltando que confrontos armados ocorrem em razão da reação de criminosos durante as operações.
A Polícia Militar foi procurada para comentar os resultados do levantamento, mas não havia se manifestado até a divulgação da pesquisa.
O estudo também cita dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apontam redução de 20,7% na taxa de mortes violentas no Estado do Rio de Janeiro entre 2020 e 2025, passando de 28,5 para 22,6 casos por 100 mil habitantes.




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