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Estudo aponta possível ação coordenada em polêmica envolvendo marca Ypê nas redes sociais

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 49 minutos
  • 2 min de leitura

Um levantamento realizado pelo Projeto Brief identificou indícios de atuação coordenada e possível uso de perfis automatizados durante a repercussão da marca Ypê nas redes sociais. Segundo a pesquisa, parte significativa das publicações que impulsionaram o tema no X, antigo Twitter, teria sido disseminada por contas com características associadas a robôs digitais.


O estudo analisou conteúdos publicados entre os dias 29 de abril e 13 de maio e concluiu que cinco das dez contas com maior alcance sobre o assunto apresentavam padrões considerados suspeitos. Entre os elementos observados estavam frequência excessiva de postagens, funcionamento contínuo durante 24 horas, ausência de interação espontânea com outros usuários e utilização de perfis genéricos, muitas vezes sem identificação pessoal.


De acordo com os pesquisadores, as contas atuavam predominantemente em pautas ligadas à direita conservadora, incluindo campanhas relacionadas à anistia dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, apoio ao Estado de Israel e publicações favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro.


A pesquisa também chamou atenção para o crescimento repentino das menções à marca nas redes. Na semana anterior à controvérsia, o termo “Ypê” registrava cerca de 2,4 mil citações na internet. Dias depois, o volume ultrapassou 600 mil menções, movimento considerado atípico pelos responsáveis pelo estudo.


A coordenadora da pesquisa, a antropóloga Carolinne Luck, afirmou que o comportamento identificado sugere uma tentativa de criar artificialmente a percepção de grande mobilização popular em torno do tema. Segundo ela, o fenômeno representa um exemplo do que classificou como “ilusão algorítmica”, quando mecanismos de impulsionamento ampliam determinados assuntos de forma desproporcional no debate público.


O relatório ainda levanta a hipótese de que a repercussão em torno da marca possa ter servido para deslocar a atenção de outros acontecimentos políticos. O período de maior crescimento das publicações coincidiu com a divulgação de áudios envolvendo Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, nos quais o senador apareceria solicitando apoio financeiro.


Para os responsáveis pelo levantamento, o episódio reforça o debate sobre o impacto de campanhas digitais coordenadas na formação da opinião pública e na amplificação artificial de temas nas redes sociais.



 
 
 

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