Estudo aponta risco de até dez mortes de idosos em dias acima de 43°C no Rio
- Marcus Modesto
- 28 de fev.
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Um levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) revela que a capital fluminense pode registrar até dez mortes de idosos em um único dia quando os termômetros ultrapassam os 43°C. A análise avalia o impacto das ondas de calor sobre a mortalidade no Rio de Janeiro.
De acordo com o relatório, um dia de calor extremo provoca aumento de uma morte a cada 100 mil idosos, o que representa elevação de 0,56% na taxa mensal de mortalidade desse grupo. O estudo destaca que dois terços dos óbitos estão concentrados em bairros das zonas Norte e Oeste, áreas marcadas pela presença das chamadas “ilhas de calor”, onde a temperatura é significativamente mais alta em comparação com outras regiões da cidade.
Mesmo quando o calor atinge toda a capital, a desigualdade na exposição térmica entre os bairros influencia diretamente o número de mortes. Regiões com menor arborização, alta densidade de construções e pouca circulação de vento tendem a registrar impactos mais severos.
A pesquisa também analisou o papel da rede de saúde na mitigação desses efeitos. Os dados indicam que bairros mais distantes de unidades de emergência apresentam maior aumento da mortalidade em dias quentes, reforçando a importância do acesso rápido ao atendimento médico para reduzir complicações decorrentes do estresse térmico.
Segundo o IEPS, a ampliação da rede de clínicas da família pode reduzir em até 45% os impactos de ondas de calor moderadas, especialmente quando há variação de temperatura entre bairros. No entanto, em cenários de calor extremo, o efeito protetivo é menor, exigindo estrutura de urgência e emergência preparada para responder rapidamente.
O estudo, divulgado neste mês, cruzou informações de temperatura captadas por satélite com registros de óbitos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DataSUS), no período de 2003 a 2016. Foram analisadas mortes por doenças crônicas em pessoas com mais de 60 anos, incluindo enfermidades cardiovasculares, respiratórias e endócrino-metabólicas, condições que podem ser agravadas por temperaturas elevadas.




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