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Fachin promete medidas após mensagens de Vorcaro a Moraes virem à tona

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que deverá anunciar nos próximos dias medidas diante das informações reveladas pela Polícia Federal sobre mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes.


Sem antecipar quais providências poderão ser adotadas, Fachin declarou que a Presidência do Supremo ainda analisa os fatos e seguirá os procedimentos institucionais antes de definir o encaminhamento do caso.


“Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias”, afirmou Fachin durante um seminário sobre democracia.


As mensagens foram identificadas pela Polícia Federal durante as investigações relacionadas ao Banco Master. O relatório foi produzido por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso, com o objetivo de identificar os destinatários das comunicações encontradas no celular de Vorcaro.


De acordo com a investigação, parte das mensagens era destinada a Alexandre de Moraes.


Após receber o relatório, Mendonça solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e defendeu que o assunto fosse levado à análise do plenário do Supremo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado nas mensagens atribuídas ao banqueiro, considerou o relatório nulo, sob o argumento de que a apuração foi realizada sem pedido prévio da Polícia Federal ou do Ministério Público.


Com isso, caberá à Presidência do STF definir o encaminhamento institucional da situação.


Fachin classificou o episódio como um momento de “especial gravidade” e afirmou que os elementos revelados exigem responsabilidade e firmeza da Corte.


“Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza”, declarou.


O presidente do STF também ressaltou a necessidade de preservar a confiança da população na instituição.


“A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal”, afirmou.


Mensagens citam PF, Banco Central e PGR


Segundo o relatório da Polícia Federal, Daniel Vorcaro teria procurado Moraes em um período de forte pressão sobre o Banco Master, que enfrentava investigações e o risco de uma possível liquidação.


As mensagens recuperadas abrangem um período de 13 dias e mostram o banqueiro buscando informações e demonstrando preocupação com o avanço das investigações e a situação da instituição financeira.


A apuração aponta que Vorcaro escrevia os textos em um bloco de notas no celular, fazia capturas de tela e enviava as imagens ao ministro por meio de mensagens de visualização única.


Em 17 de novembro de 2025, poucas horas antes de ser preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos durante a Operação Compliance Zero, Vorcaro perguntou se havia alguma novidade e questionou Moraes sobre a possibilidade de “bloquear” determinada situação.


O conteúdo disponível, no entanto, não permite identificar com precisão a que o banqueiro se referia.


No dia anterior, Vorcaro também mencionou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e demonstrou preocupação com a possibilidade de uma operação ser deflagrada.


Em outra mensagem, o banqueiro questionou se seria possível atrasar uma ação por alguns dias e afirmou que, caso isso ocorresse, o Banco Master poderia evitar um agravamento da crise.


As conversas também fazem referência ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Vorcaro demonstrava preocupação com uma eventual intervenção na instituição e afirmava que pretendia apresentar soluções para a crise.


Paulo Gonet e o juiz Ricardo Soares Leite também são mencionados nas mensagens. Vorcaro questionava se haveria possibilidade de alterar o cenário que poderia resultar em sua prisão e na adoção de medidas contra o banco.


Em uma das mensagens, enviada dias antes da prisão, o banqueiro agradeceu a Moraes e afirmou ter uma “dívida de vida” com o ministro e sua família.


Os registros indicam ainda que Moraes teria respondido a algumas das mensagens. O conteúdo dessas respostas, porém, não aparece no material analisado pela Polícia Federal porque, segundo a investigação, as comunicações também teriam sido feitas por meio do recurso de visualização única e o aparelho celular do ministro não foi submetido à quebra de sigilo.


Com a divulgação das informações, o caso passou a gerar uma nova crise institucional no Supremo. A definição sobre quais providências serão adotadas agora está nas mãos da Presidência da Corte.


Fachin indicou que pretende concluir a análise dos fatos antes de anunciar uma decisão e reforçou que a preservação da credibilidade, da autoridade e da integridade do STF será um dos pontos centrais na condução do caso.



 
 
 

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