Rodrigo Drable quer voltar ao poder, mas o passado também entra na campanha
- Marcus Modesto
- há 10 horas
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A disputa eleitoral não pode ser feita apenas com promessas, discursos e lembranças convenientes. Quando um ex-prefeito decide pedir novamente o voto da população para ocupar um cargo público, sua trajetória administrativa e política precisa estar aberta ao debate. E, no caso de Rodrigo Drable, candidato a deputado estadual, esse debate necessariamente passa por processos, investigações, decisões judiciais e questionamentos sobre suas contas de governo.
Não se trata de antecipar condenações ou transformar acusações em sentenças. Trata-se de discutir fatos públicos.
Em 2020, Rodrigo Drable foi afastado judicialmente do cargo de prefeito de Barra Mansa durante uma operação envolvendo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e a Polícia Civil. À época, as investigações envolviam acusações de corrupção e organização criminosa.
Segundo informações divulgadas no contexto da denúncia apresentada pelo Ministério Público, a investigação estava relacionada, entre outros fatos, à suspeita de oferecimento de vantagem indevida para influenciar a votação das contas da administração municipal referentes ao exercício de 2018.
É importante deixar claro: acusação não é condenação. Todo investigado e denunciado tem direito à ampla defesa e ao contraditório. Mas também é importante deixar claro que o eleitor tem o direito de conhecer os episódios que fazem parte da trajetória pública de quem pretende representar a população na Assembleia Legislativa.
O episódio do afastamento não pode simplesmente ser apagado da história política de Barra Mansa.
Outro ponto que merece atenção são as contas de 2018. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro emitiu parecer prévio contrário à aprovação das contas da gestão de Rodrigo Drable.
Entre os questionamentos apontados estavam divergências relacionadas à movimentação de recursos do Fundeb, incluindo uma diferença superior a R$ 731 mil apontada na análise das contas.
Posteriormente, a Câmara Municipal de Barra Mansa aprovou as contas por 14 votos a 5, contrariando o parecer prévio emitido pelo Tribunal de Contas.
E é exatamente aqui que está uma questão que o eleitor precisa analisar.
A Câmara tinha competência para tomar a decisão final? Sim.
Mas isso significa que o parecer técnico do Tribunal de Contas deixou de existir? Não.
O parecer contrário, os apontamentos técnicos e toda a controvérsia envolvendo a votação continuam fazendo parte do histórico administrativo daquele governo.
Rodrigo Drable tem, naturalmente, o direito de apresentar sua versão, sua defesa e suas explicações. Pode destacar decisões que lhe foram favoráveis e os exercícios em que suas contas receberam parecer favorável.
Mas uma candidatura não pode exigir que o eleitor olhe apenas para os capítulos positivos.
Quem quer ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa precisa estar preparado para responder às perguntas incômodas.
O que aconteceu nos processos e investigações que envolveram seu nome? Qual é a situação atual de cada procedimento? Quais foram as conclusões posteriores da Justiça? Como o candidato responde aos questionamentos levantados pelo Ministério Público? E como explica o parecer contrário emitido pelo Tribunal de Contas sobre as contas de 2018?
Essas perguntas não representam perseguição política.
Representam democracia.
O eleitor de Barra Mansa e do Sul Fluminense não deve escolher seus representantes com base apenas em propaganda eleitoral, vídeos de campanha e discursos cuidadosamente produzidos.
Deve conhecer a trajetória completa.
Inclusive as vitórias.
Inclusive os erros.
Inclusive as decisões favoráveis.
E, principalmente, as investigações, acusações, processos e questionamentos que um candidato enfrenta ou enfrentou.
Rodrigo Drable quer uma nova oportunidade nas urnas.
Isso é legítimo.
Mas também é legítimo que a população pergunte, cobre explicações e examine o passado antes de entregar novamente poder a quem deseja representar a região.
Em uma democracia, ninguém deve ser condenado antecipadamente.
Mas ninguém que pretende exercer um mandato público deve estar acima do escrutínio da sociedade.
O voto é livre.
Mas, para ser consciente, precisa ser informado.
Foto Reprodução




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