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Facções dominam redes clandestinas de internet e expulsam provedores legais em várias regiões do país

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 14 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

O fornecimento ilegal de internet se tornou uma das principais fontes de renda do crime organizado no Brasil. Facções criminosas vêm assumindo o controle de redes em comunidades, expulsando provedores legalizados sob ameaças e impondo cobranças indevidas a operadoras autorizadas. A atuação violenta e estruturada já é alvo de dezenas de investigações em estados como Rio de Janeiro, Pará e Ceará.


Somente no Rio de Janeiro, mais de 120 inquéritos foram abertos desde 2023 para apurar esquemas de internet clandestina. Segundo levantamento do g1, os grupos instalam equipamentos ilegais, proíbem a atuação de empresas registradas e exigem “pedágios” de companhias que desejam operar nas áreas dominadas.


“Internet é a nova boca de fumo”, afirma o delegado Pedro Brasil. Em bairros sob controle do Terceiro Comando Puro (TCP), liderado por Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão — o criminoso mais procurado do estado —, técnicos de empresas autorizadas são abordados com ameaças de morte. Em um áudio obtido pela reportagem, um criminoso afirma: “Quem manda aqui é o Peixão. Vou te matar se não sair daqui”.


A pressão não se limita às empresas. Moradores também são coagidos a seguir as regras das redes clandestinas. “Peço a colaboração de todos, entendeu? Pra não passar por cima da nossa ordem. Ordem de forças maiores”, diz outra gravação encaminhada a clientes de um serviço ilegal.


Um empresário do norte fluminense, que preferiu não ser identificado, contou ter abandonado o setor após receber ameaças. “O que mais revolta é ouvir que, se você não fizer o que eles querem, o seu funcionário vai descer do poste na bala”, relatou.


No Pará, criminosos ligados ao Comando Vermelho incendiaram o carro de uma empresa em Ananindeua, na Grande Belém. Já no Ceará, pelo menos 13 ataques a provedores foram registrados em apenas seis semanas, forçando o encerramento das atividades de 15 empresas. No município de Caridade, cerca de 16 mil moradores ficaram sem conexão após os atentados.


Autoridades e especialistas alertam para os riscos desse tipo de domínio. Além dos prejuízos econômicos, a ocupação criminosa das redes representa uma ameaça à segurança digital dos brasileiros. “Sem regulação e com acesso irrestrito aos equipamentos, criminosos podem espionar conversas, aplicar golpes e espalhar vírus”, apontam investigadores.


O presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Mauricélio Oliveira, expressa preocupação com o avanço do fenômeno. “A gente tem medo que isso se espalhe para o Brasil inteiro, já que não há uma resposta rápida da segurança pública. Estamos falando de segurança nacional”, afirmou.


A Anatel informou que está cooperando com as forças de segurança para auxiliar tecnicamente na identificação dos crimes. Já a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro declarou que mapeou as áreas de atuação das facções e mantém parceria com a agência reguladora.


No Ceará, a polícia prendeu 48 suspeitos ligados aos ataques e intensificou a repressão ao comércio ilegal de internet.



 
 
 

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